Publicado em: 31/08/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
A Maternidade Escola Januário Cicco vem tendo problemas com a superlotação de pacientes. De acordo com a diretoria, a situação recorrente de salas lotadas e deficiência de material piora devido à falta de estrutura da rede pública de saúde no interior e à falta de recursos enviados pelo Ministério da Saúde através do Sistema Único de Saúde.
Médicos e enfermeiros do hospital apontam que a precariedade no funcionamento do sistema de saúde do interior do estado traz muitas pacientes que poderiam ser atendidas em suas cidades ou em municípios vizinhos. O resultado são adaptações que diminuem a qualidade do serviço oferecido às usuárias.
A primeira é na quantidade de leitos por quarto. Na MEJC cada box tem duas camas, tanto nas enfermarias quanto na parte de alto risco e das mães-canguru (que têm filhos prematuros e seguram os bebês fora da encubadora junto ao seu corpo, para estimular seu desenvolvimento). “Esse não é o ideal, porque para o atendimento humanizado é preciso que cada mulher tenha um quarto sozinha”, diz Sthéphano Fernandes de Freitas, residente em ginecologia e obstetrícia da maternidade.
Em alguns dos casos, para evitar mais transtornos às pacientes elas são encaminhadas de volta aos hospitais de seus municípios, quando possível e, em casos de médio e baixo rico, são encaminhadas a outros hospitais da cidade, reservando a MEJC para pacientes de alto risco.
Para liberar leitos e não precisar deixar gente nos corredores, como acontece em alguns hospitais públicos, foi preciso agilizar os serviços de enfermagem. Ainda assim, as mulheres atendidas são muitas, e o trabalho dos dois médicos plantonistas e dois residentes fica sobrecarregado. “Eles fazem um verdadeiro milagre para funcionar do jeito que funciona”, diz Sthéphano.
Um exemplo de paciente que precisou recorrer à Januário Cicco é Fernanda Aparecida de Queiroz, de 16 anos, que veio de Pau dos Ferros, que está a 400 quilômetros de distância de Natal, para ter seu primeiro filho ontem, em Natal. Fernanda tem problema de pressão e pouco líquido amniótico na placenta, que representam um caso de gravidez de alto risco. Na sua cidade não existe encubadora para os recém-nascidos. Isolda Wraima Braz da Silva é da cidade de Várzea, a 76 quilômetros de Natal, onde não há hospital. Durante toda a gestação ela teve de vir de ônibus ou ambulância à capital para fazer os exames pré-natal e agora para dar à luz o filho.
O diretor geral da Maternidade Escola Januário Cicco, Kléber Morais, comenta que a procura é grande por que esta é uma entidade de referência em gravidez de alto risco e cirurgia ginecológica no Estado e aponta: “seria interessante que elas (pacientes) tivessem esse atendimento nas cidades onde moram”.
Gastos ultrapassam repasse feito pelo SUS
Os gastos do Hospital Maternidade Januário Cicco ultrapassam o valor que recebe do SUS, já que atende a mais pacientes que o número acertado no convênio com o Ministério da Saúde. No ano passado o déficit foi de R$ 1,4 milhão, que levou os profissionais a trabalhar com mais rigidez e a economizar em tudo, para não haver desperdício algum de material.
O dinheiro para sustentar os atendimentos da MEJC é proveniente do Ministério da Saúde e vem através do SUS, repassado pela Secretaria Estadual de Saúde Pública (Sesap) para os atendimentos de alta complexidade, e pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para os atendimentos de baixa e média complexidade.
“O teto do Estado todo é muito pequeno. É de apenas R$ 178 milhões por ano”, diz José Renato Brito, coordenador de hospitais e Unidades de Saúde do Estado. A quantia destinada à MEJC é descontada do teto fornecido aos órgãos estadual e municipal de saúde, não tem sido suficiente para suprir as necessidades do hospital.
Por esse motivo Kleber Morais, diretor da instituição, diz que a parceria com as Secretarias de Saúde são muito significativos para exigir um aumento do teto da verba encaminhada.
Outro ponto também importante para diminuir o número de pacientes, necessário para dar atendimento mais humanizado, com mais atenção às usuárias, é dar condições aos hospitais, postos de saúde e maternidades das cidades do interior ou adjacentes para que procedam em alguns casos mais simples e não encaminhem as mulheres para a capital.
José Renato Brito explica que “é de atribuição da Januário Cicco cuidar de pacientes de alto risco, então esses casos são de transferência obrigatória”, e esclarece que “não ter estrutura não quer dizer que as pessoas não tenham acesso à saúde”, pois as cidades maiores nas adjacências das 52 cidades sem hospital no RN têm de receber esses pacientes. Ele lembra também que ainda existe a cultura de procurar hospitais da capital do Estado para dar à luz e que essa migração não pode ser evitada pelos órgãos de saúde, tornando impossível fazer com que algumas mulheres deixem de procurar a Januário Cicco. Tribuna do Norte
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe
Com informações da Tribuna do Norte/Natal.
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