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Revista propõe acabar com termo "asma"

Publicado em: 01/09/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

Uma revista científica britânica está propondo a abolição do termo “asma”. A idéia foi defendida em editorial pela The Lancet, que considera a palavra incorreta e enganosa. Os pesquisadores argumentam que a asma não é uma doença única, e sim um conjunto de sintomas de distintas causas e características.

Tosse e dificuldade para respirar, conseqüências de uma inflamação nas vias respiratórias, podem ser provocados por variadas origens. Da mesma forma, defende a publicação, pessoas com asma podem sofrer crises por diferentes motivos, manifestar sintomas distintos e responder ao tratamento de maneira desigual.

“Talvez a asma como sintoma seja de fato apenas a manifestação clínica de doenças distintas”, diz a Lancet. “Ao invés de confundir cientistas, médicos e pacientes ainda mais, não é hora de eliminar este nome que perdeu sua utilidade?”

Debate – O termo “asma” deriva da palavra grega que significa “respirar com a boca aberta, ou ofegar”. Para a revista, este conceito é vago. “Até o século 19, a febre era considerada uma doença. Talvez em 20, 30 ou 50 anos vejamos que o mesmo acontece com a asma.” Especialistas ouvidos pela BBC emitiram opiniões cautelosas sobre o assunto.

O porta-voz da Fundação Britânica para os Pulmões, Andrew Miller, disse que imprecisão não é um bom motivo para riscar um termo dos dicionários médicos. Para ele, os sintomas que configuram a asma são “tratados de maneira similar”. O professor Martyn Partrige, da Associação Britânica para a Asma, afirmou que o debate já estava sendo travado no círculo médico.

Ele disse que seria “perigoso” se desfazer de um termo por razões clínicas, “especialmente diante do risco de prover tratamento inadequado”. “O que não está em questão é que, sendo uma condição ou um conjunto de condições, é um problema comum, normalmente sério, mas que pode ser tratado.”

Estima-se que a asma afete 300 milhões de pessoas no mundo, com os prognósticos para 2025 sugerindo que este número chegará a 400 milhões. O jornal destacou que a asma entre crianças tem crescido, e alertou para o fato de que crianças alérgicas são mais propensas a desenvolver o problema.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações da BBC Brasil.

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