Publicado em: 12/09/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Profissionais teriam se tornado “garotos-propaganda” dos laboratórios
Dirigente da entidade que julga as infrações éticas de médicos brasileiros, o cardiologista Roberto Luiz d´Avila tocou em uma questão polêmica durante o Simpósio Sul-Americano de Clínica Médica, que termina hoje em Bento Gonçalves, na Serra.
Influenciada por brindes e estadias gratuitos em congressos realizados em regiões turísticas ou hotéis cinco estrelas, muitos profissionais transformaram-se, segundo o corregedor do Conselho Federal de Medicina, em “garotos-propaganda de luxo da indústria farmacêutica”.
O temor de D´Avila é que essa relação antiética arranhe a confiança dos pacientes nos médicos. – A indústria farmacêutica aplica cerca de 30% de seu faturamento em publicidade e marketing. Quase tudo é dirigido aos médicos. Artigos mostram que eles são influenciáveis pela publicidade, cada vez mais agressiva – disse D´Avila, em entrevista a Zero Hora ontem.
Para evitar que os efeitos se agravem, a entidade tentará, até o fim do ano, estabelecer novas regras para o relacionamento entre a classe e os laboratórios, inspiradas em iniciativas européias. O conselho já publicou uma resolução para tratar o assunto em 2000, mas não surtiu efeito, reconhece o corregedor.
A medida proíbe, por exemplo, que um profissional vincule a prescrição ao recebimento de brindes, ou seja, que receite um remédio porque ganhou um presente. Também determina que, ao participar de palestras ou escrever artigos sobre produtos farmacêuticos, o médico informe sobre os agentes que patrocinaram suas pesquisas ou apresentações.
Para contrapor os argumentos do dirigente, Zero Hora tentou contato com o presidente da Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Febrafarma), Ciro Mortella, mas não conseguiu localizá-lo. A reportagem também procurou a direção do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Rio Grande do Sul (Sindifar), que preferiu não comentar o assunto por considerá-lo de responsabilidade da Febrafarma.
“A indústria farmacêutica é um negócio, precisa vender”
Entrevista: Roberto Luiz d´Avila, corregedor do Conselho Federal de Medicina
O cardiologista Roberto Luiz D´Avila defende que os médicos não possam aceitar brindes:
Zero Hora – De que forma a indústria farmacêutica conquista os médicos?
Roberto Luiz d´Avila – O marketing vai desde a oferta de pequenos brindes, como canetas, agendas, até passagens e estadias para congressos. Descobrimos agora que a indústria usa outra metodologia com as farmácias: ela tem acesso ao receituário e sabe quais são os médicos que receitam o seu produto.
ZH – Como ocorre a pressão?
D´Avila – Colegas reclamam que o propagandista de laboratório chega no consultório e diz: “Eu lhe visito todo mês, dou-lhe amostra, tenho oferecido uma série de presentes, e o senhor não receita meu produto?”. Tem propagandista que fala: “Olha, eu preciso este mês fechar as vendas neste produto e vejo que não vou conseguir alcançar a meta, por favor, me ajude”. É uma relação que começou a ficar doentia.
ZH – Essa “relação doentia” é comum e generalizada no país?
D´Avila – Muitos médicos que recebem os propagandistas em seus consultórios acham que os brindes e almoços são desinteressados. Acreditam que se mantêm íntegros e não sofrem influência. É muita ingenuidade. Esquecem que a indústria farmacêutica é um negócio, precisa vender, ter lucro. Há também muita esperteza de alguns poucos médicos.
ZH – Como estabelecer uma relacionamento com os laboratórios sem promiscuidade?
D´Avila – É preciso uma relação transparente. Os brindes devem ser abolidos: o médico não precisa de almoço, jantar. A indústria farmacêutica pode e deve continuar próxima dos médicos, informando quais são seus produtos e lançamentos. Pode patrocinar livros, trazer um speaker que diga claramente no início da palestra que está sendo pago pelo laboratório para falar do remédio. É preciso ser mais claro.
ZH – O senhor também é contra as amostras grátis?
D´Avila – Não há necessidade de amostras. Posso dar a algum paciente, mas, se usa amostra grátis, você praticamente obriga o paciente continuar com aquela prescrição. Os 30% que a indústria gasta com almoços, jantares e amostras podem ser revertidos com benefícios com o barateamento do preço do remédio na farmácia.
ZH – Como o paciente pode se precaver disso?
D´Avila – Não é prática generalizada, mas não vejo impedimento para que pacientes esclarecidos discutam essa situação com o médico.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações do jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul.
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