Publicado em: 13/09/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Pesquisadores australianos revelam que uso de antiinflamatórios vendidos no Brasil aumenta em 40% o risco de infarto do miocárdio
O uso do antiinflamatório não-esteróide diclofenaco – princípio ativo dos medicamentos Voltaren e Cataflam – pode elevar em até 40% o risco de ataque cardíaco. A conclusão é de uma ampla revisão de estudos científicos realizada por dois cientistas australianos e divulgada ontem no site da revista Nature e no Journal of the American Medical Association (Jama). De acordo com a pesquisa, o consumo freqüente e sistemático de um ou outro medicamento pode provocar danos cardiovasculares tão graves quanto os causados pelo Vioxx, um remédio contra a artrite retirado do mercado mundial em 2004.
“Os estudos indicaram que pessoas usuárias de doses prescritas de diclofenaco tiveram um aumento do risco de infarto, em comparação com os pacientes que faziam uso de outras drogas”, afirmou ao Correio a principal líder da pesquisa, Patricia McGettingan, médica da Universidade de New Castle, em Nova Gales do Sul (Austrália). O diclofenaco também é comercializado em outros países com os nomes Solaraze e Arthrotec.
McGettingan e sua equipe revisaram 23 estudos que associavam o risco cardíaco ao consumo de medicamentos – nove deles se concentravam no diclofenaco. Para obter uma ampla amostragem, os cientistas se focaram na análise de 1,6 milhão de pacientes em diferentes regiões da Europa e nos Estados Unidos. “O perigo de sofrer um ataque cardíaco no futuro aumenta em 40% nas pessoas que consomem de 100mg a 150mg de diclofenaco por dia”, revela a médica australiana. Essas dosagens teriam o mesmo efeito de 25mg diários de Vioxx. A elevação do risco ocorre no primeiro mês de uso.
De acordo com ela, as estimativas fazem pouca diferença em jovens saudáveis e praticamente imunes a um infarto. “Mas se o paciente é idoso, sofre de diabetes, tem colesterol alto ou é fumante, o risco sobe para 56%”, alerta. O estudo sugere a revisão das normas regulatórias sobre o uso do antiinflamatório e defende sua substituição por outras drogas.
Alguns antiinflamatórios disponíveis no mercado mundial, como o ibuprofeno e o naproxeno, são inofensivos ao coração, mas danificam o trato gastrointestinal. “As pessoas podem tomar medicamentos para aliviar suas dores, mas não precisam se submeter a riscos”, afirma Patricia McGettingan. As drogas Voltaren e Cataflam são fabricadas no Brasil pela Novartis. “Essa pesquisa não tem fundamento científico, é uma meta-análise, uma salada de dados”, disse à reportagem Edgar Lien, gerente médico da farmacêutica. Em nota, a empresa explica que a “meta-análise” realizada pelos australianos “não é aceita pelos órgãos reguladores como evidência clínica para suporte de registro de produtos”.
O comunicado lembra que já foram feitos vários estudos comparando-se o diclofenaco a outros antiinflamatórios, como o naproxeno, o ibuprofeno e os inibidores seletivos da enzima ciclooxigenase (COX-2). “Eles não indicaram qualquer aumento do risco cardiovascular”, afirma a farmacêutica. A Novartis classifica a pesquisa de incompleta e pondera que os dados favoráveis ao diclofenaco não foram considerados para estimativas de risco. “A soma de dados de diferentes estudos não é cientificamente aceitável, pois as taxas de risco para os medicamentos tradicionais versus placebo foram obtidas”, acrescenta a nota.
De acordo com a Novartis, uma base de dados envolvendo 650.590 pacientes norte-americanos não reportou nenhum aumento na propensão ao enfarte de miocárdio relacionado ao diclofenaco. A empresa lembra ainda que, em 30 anos de diclofenaco no mercado brasileiro, jamais detectou-se uma elevação do risco cardiovascular em pacientes. A médica Patricia McGettingan rebate as acusações da Novartis e sustenta o rígido caráter da pesquisa. “Nosso estudo tem sólidas bases científicas e não é uma meta-análise”, afirma. “Tenho confiança de que nossa pesquisa traz uma mensagem de que devemos prestar atenção a esse risco cardíaco.”
MEMÓRIA
Primeiro escândalo
O primeiro antiinflamatório a sofrer as conseqüências de pesquisas sobre o risco de ataque cardíaco foi o Vioxx, do laboratório Merck. Em 2004, os produtores retiraram o medicamento das prateleiras depois de um estudo revelar que ele duplica o risco de infarto e derrame. A medida derrubou as ações da empresa em quase 27%, e seu valor de mercado diminuiu em US$ 25 bilhões.
O Vioxx vinha sendo usado por 84 milhões de pessoas em todo o mundo desde seu lançamento, em 1999. Era o quarto medicamento mais vendido da Merck, com faturamento de US$ 2,5 bilhões em 2003 – mais de 10% do total da empresa. Ele fazia parte de uma classe de remédios chamada inibidores COX-2, como o Celebrex, da Pfizer, e o Prexige, da Novartis.
As dúvidas sobre o Vioxx vinham ganhando força há anos por causa de estudos que mostravam que ele aumentava o risco de problemas circulatórios. Até 2004, porém, a Merck insistia na segurança do produto. A decisão de retirá-lo do mercado – inclusive no Brasil – veio após exames com 2,6 mil pacientes. Os testes revelaram que quem consumia o remédio durante três anos tinha o dobro de chance de sofrer infarto ou derrame, em comparação com pacientes que tomavam um placebo.
De acordo com a revista Lancet, o Vioxx deveria ter sido banido em 2000, quando já havia provas suficientes de seus efeitos colaterais. O remédio era prescrito principalmente para tratar problemas reumáticos como a artrite. A agência reguladora de medicamentos e alimentos dos Estados Unidos (FDA) estima que o produto tenha provocado no país 27.785 infartos do miocárdio e mortes por crise cardíaca entre 1999 e 2003.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações de Rodrigo Craveiro, do Correio Brasiliense.
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