Publicado em: 18/09/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Como se não bastasse a tensão por lidar com pessoas que estão, muitas vezes, entre a vida e a morte, médicos, atendentes e enfermeiros que trabalham em postos de saúde e em hospitais da Grande Vitória ainda precisam conviver com o medo constante de serem vítimas da violência em seus próprios locais de trabalho.
A sensação de insegurança e o temor de ser vítima apóiam-se em fatos concretos. Em apenas seis dias, foram registrados disparos em duas unidades de saúde da Grande Vitória. No último dia 12, um menor tentou resgatar dois internos da Unis no Pronto-Atendimento de Itacibá, em Cariacica. E, no dia 6, uma quadrilha invadiu a Policlínica de São Pedro, em Vitória, para tentar executar um casal.
No segundo caso, uma adolescente de 17 anos foi ferida com um bala perdida no pé. Embora não haja estatísticas, o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo afirma que o número de casos de agressões físicas e verbais e de ameaças a profissionais da saúde vem crescendo nos últimos anos, e muitos desses servidores preferem não trabalhar em determinados locais, com medo da violência.
“Os médicos precisam trabalhar, e as pessoas precisam ser atendidas. Mas isso gera uma tensão muito grande, pois o profissional tem que pensar no paciente e também na própria segurança. Como ter equilíbrio para analisar a situação do paciente, da medicação, em uma situação dessas?”, questiona o presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, Fernando Chiabai.
Ele explicou que a falta de estatísticas oficiais se deve ao medo do próprio profissional. “O médico não denuncia por ter medo de represálias. A pessoa sabe onde ele trabalha, em qual horário, é um risco grande”, completou Chiabai. A tensão estende-se aos enfermeiros, aos auxiliares de enfermagem e ao pessoal administrativo que trabalha nas unidades de saúde e hospitais da Grande Vitória, sejam estaduais ou municipais.
“Uma coisa interessante é que as agressões verbais diminuíram, mas o problema ficou mais complexo, pois temos medo de uma violência maior. Hoje (quinta-feira), havia três homens armados na porta da unidade”, contou uma servidora da rede municipal de saúde de Cariacica.
Pacientes prejudicados
Se para os profissionais o medo de ser vítima de algum tipo de violência causa transtornos na rotina de trabalho, para os pacientes a situação não é diferente. No PA de Itacibá, nessa terça-feira, muitas pessoas que recebiam atendimento correram para se esconder durante a tentativa de resgate de dois menores. “Alguns pacientes chegaram a arrancar o soro dos braços para correr”, revelou uma funcionária. Uma senhora com problemas cardíacos que estava em uma ambulância chegou a descer da maca e pediu aos paramédicos que a levassem embora. “Eu já estou boa”, dizia.
Atender a presos gera tensão
O atendimento a presos da Grande Vitória também é um fator de tensão entre médicos e outros profissionais que atuam em postos de saúde. Além do medo de uma tentativa de assassinato ou de resgate, existe a possibilidade de uma fuga do detento, como relata uma funcionária da rede municipal de saúde de Cariacica. “Uma vez, um menor que estava sendo atendido no consultório dentário do PA de Itacibá, mesmo algemado, conseguiu escorregar o corpo das algemas e quase fugiu”, revelou.
Funcionários do PA afirmam que de 1º de janeiro a 12 de setembro deste ano foram feitos cerca de 1,8 mil atendimentos a presos naquela unidade. “Não podemos recusar atendimento, mas temos medo de um resgate, de uma fuga, de haver tiros aqui dentro”, afirmou a funcionária. O presidente do Sindicato dos Médicos, Fernando Chiabai, afirmou que o problema acontece também no posto de saúde de Viana-Sede, onde já ocorreu até tiroteio.
O secretário de Justiça, Angelo Roncalli, afirmou que o Projeto de Saúde Prisional (PSP) será implantado no Complexo Penitenciário de Viana, em outubro. Foram contratadas três equipes, cada uma formada por um médico, um enfermeiro, um técnico em enfermagem, um odontólogo, um auxiliar de odontologia, um psicólogo e um assistente social. Roncalli disse que já foi reformado o ambulatório da Casa de Custódia e que está construindo um ambulatório na Penitenciária de Segurança Máxima. “Isso vai reduzir, e muito, a saída de presos para os hospitais públicos.”
Sindicato quer PMs nas unidades
O Sindicato dos Médicos do Espírito Santo afirmou que uma das soluções para reduzir a sensação de insegurança dos profissionais seria a colocação de policiais militares para fazer a segurança das unidades de saúde.
“Somente a guarda patrimonial não resolve. A presença do policial militar impõe mais respeito. Inibe, por exemplo, a tentativa de agressão dos médicos por familiares dos pacientes”, explica o presidente do sindicato, Fernando Chiabai.
Ele afirmou que já existe dificuldade na contratação de profissionais para trabalhar em alguns locais. “Existem unidades de saúde onde ninguém quer trabalhar para não colocar a vida em risco. O salário é muito baixo, mas isso já virou um problema secundário diante da falta de segurança, da falta de condições de trabalho”, acrescentou.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que os hospitais da rede estadual possuem vigilância patrimonial, à exceção do Hospital Dório Silva, em Laranjeiras, na Serra, onde a segurança do pronto-socorro é feita por um PM.
De acordo com a secretaria, não existe plano de colocar policiais militares para fazer a segurança nas unidades, até porque – quando acionada – a Polícia Militar chega rápido ao hospital. “Não temos casos significativos de agressões, mas eventualmente há um caso de tentativa de agressão, que é logo inibida”, informou a assessoria da secretaria.
Além disso, os hospitais não dispõem de caixas eletrônicos para não atrair ladrões, e os funcionários da recepção do pronto-socorro ficam em áreas protegidas por grades. A Sesa informou, ainda, que não há registro por escrito de funcionários da área de saúde que tenham pedido desligamento devido à falta de segurança.
Perna quebrada
Há cerca de um ano, uma funcionária do Pronto-Atendimento de Itacibá, em Cariacica, teve a perna quebrada depois de ter sido agredida com um chute pelo marido de uma paciente. Ele teria exigido entrar com dois acompanhantes, o que não é permitido. Diante da proibição, o homem chutou o portão de entrada, mas errou o alvo, atingindo a servidora. O agressor foi levado pela PM para a delegacia, e o caso está na Justiça.
Seguranças também sofrem
Os seguranças que trabalham nos postos de saúde e em unidades de atendimento também sofrem com a tensão e o medo da violência, mesmo sendo obrigados a garantir a segurança dos profissionais que trabalham nesses locais. Muitos deles também são ofendidos por familiares dos pacientes, incomodados com a demora no atendimento ou com a falta de vagas. “Os seguranças precisam ter um preparo psicológico muito grande para aguentarem as ofensas. Eles deveriam ser trocados periodicamente para não serem marcados”, disse uma servidora da rede municipal de saúde de Vitória.
Arma na consulta
Embora não existam registros de ocorrência das ameaças, o presidente do Sindicato dos Médicos do Espírito Santo, Fernando Chiabai, afirmou que muitos casos desse tipo chegam ao conhecimento do sindicato. “Em um deles, o paciente foi armado para ser consultado pelo médico. Quando ele chegou ao consultório, colocou a arma em cima da mesa. Depois de algum tempo, acho que sentindo mais confiança, o paciente guardou a arma”, revela.
Tensão nas unidades
12/09/2006. Um menor de 16 anos, armado com um revólver, resgatou dois adolescentes internos da Unidade de Internação Socioeducativa (Unis) que recebiam atendimento médico no Pronto-Atendimento de Itacibá, em Cariacica. Na confusão, um monitor de 26 anos foi agredido com uma coronhada e ficou ferido. Alguns tiros foram disparados, e os menores conseguiram fugir a pé pelas ruas de Itacibá. Os três foram localizados pela Polícia Militar pouco depois
06/09/2006. Um grupo armado invadiu a Policlínica de São Pedro, em Vitória, na tentativa de assassinar um casal baleado minutos antes, nas ruas do bairro. Assim que o casal deu entrada no pronto-atendimento, o mesmo grupo que o havia baleado minutos antes invadiu o local na tentativa de “completar o serviço”. Na invasão, a arma de um dos assaltantes disparou. A bala atingiu o pé de uma garota de 17 anos que acompanhava a mãe
10/05/2006. O auxiliar Carlos Roberto dos Reis foi assassinado na porta da Unidade de Saúde de Nova Rosa da Penha, em Cariacica. Ele preparava-se para abrir o portão quando foi morto.
29/04/2006. Um adolescente invadiu o Hospital Antônio Bezerra de Farias (antiga Maternidade de Vila Velha) e atingiu um paciente da unidade com dois tiros. Informações da polícia dão conta de que a vítima tinha sido baleada na noite anterior, pelo mesmo menor
20/03/2006. Um homem armado invadiu o Pronto-Atendimento de Carapina, na Serra, e fez várias ameaças a funcionários. Depois, atirou para o alto e fugiu. O disparo provocou correria de funcionários e pacientes
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações do jornal A Gazeta (ES).
Repórter: Sandresa Carvalho – scarvalho@redegazeta.com.br
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