Publicado em: 18/09/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Pais usam escolha de embriões para evitar o risco de cânceres hereditários nos filhos
A manipulação genética para prevenir a transmissão de doenças hereditárias graves e incuráveis vem sendo utilizada com sucesso há mais de uma década. O requisito número 1 é que as crianças sejam geradas por fertilização in vitro. Três dias depois da fertilização dos óvulos, uma célula é retirada de cada um dos embriões para análise genética. Só embriões que não apresentam genes com mutações que causam a doença ou predispõem a ela são transferidos para o útero da mãe. Os rejeitados são descartados ou doados para pesquisas. Casais de vários países se beneficiam desse procedimento, chamado de diagnóstico genético pré-implantacional. A novidade é que cada vez mais casais intervêm na geração de sua prole não apenas para poupá-la de doenças terríveis como também para evitar que nasça com predisposição a alguns tipos de câncer – que podem ou não se desenvolver na idade adulta e freqüentemente têm cura. Coloca-se aí uma questão ética: será correto matar vários embriões que poderiam crescer e ter uma vida normal? É certo condená-los só pela possibilidade de desenvolver uma doença para a qual há tratamento eficaz?
O casal americano Chad e Colby Kingsbury acha que sim. Chad tem uma mutação genética hereditária que o torna forte candidato a desenvolver um tipo de câncer de cólon. A doença matou sua mãe, seu avô, dois tios e outros membros da família. Os dois queriam muito ter um filho, mas lidavam com um cálculo temerário: como uma criança herda metade de seus genes do pai e metade da mãe, o bebê teria 50% de probabilidade de nascer com a predisposição ao câncer de cólon. Como a mutação genética que Chad carrega aumenta em vinte vezes o risco de a doença se desenvolver, um filho concebido da forma convencional – e que houvesse herdado esse gene – teria a possibilidade de desenvolver câncer de cólon, numa proporção de um para três, por volta dos 45 anos. Foi então que eles ouviram falar do diagnóstico genético pré-implantacional. No começo, baseados em seus princípios éticos, rejeitaram a idéia de interferir nas leis da natureza. Depois de dois meses de reflexão, resolveram se submeter ao teste. Hoje, eles são pais de Chloe, uma linda loirinha de 2 anos, que evoluiu de um dos embriões colocados no útero de Colby – quatro embriões foram descartados por conter a mutação genética relacionada ao câncer. “Seria devastador ouvir de um médico que minha filha tem câncer, quando eu poderia tê-lo evitado”, disse Chad ao jornal The New York Times.
Para muitos médicos, sob o ponto de vista ético, o risco que envolve a fertilização in vitro com análise dos embriões é que ela seja usada por motivos fúteis. O câncer de mama e o de cólon podem ser detectados ainda no início, e mesmo quem acaba sucumbindo a eles vive por muito tempo, de maneira produtiva. À medida que a ciência identifica cada vez mais genes relacionados com as características físicas e intelectuais das pessoas, maiores são as opções de manipular embriões com objetivos específicos que nem sempre têm a ver com doenças letais. Hoje, já é possível evitar filhos com tendência a artrite, surdez parcial, obesidade ou doenças de pele que nem sequer acarretam sintomas graves para o portador. Os críticos do procedimento alegam também que ele promove um tipo de eugenia – em teoria, poderia ser usado para evitar o nascimento de crianças com propensão a deficiências físicas ou com forte probabilidade de se tornarem homossexuais. Nos Estados Unidos, o custo de uma fertilização in vitro com teste dos embriões é alto – em média 25.000 dólares. Como os embriões são selecionados por suas características genéticas, e não por serem os mais saudáveis, é grande a chance de eles não se desenvolverem no útero da mãe. Outra preocupação diz respeito à intervenção feita no embrião para analisá-lo. Embora haja milhares de crianças saudáveis que foram submetidas ao diagnóstico genético pré-implantacional, os estudos sobre os efeitos a longo prazo de tirar uma célula de um embrião – numa fase em que ele tem apenas oito células – ainda não foram suficientemente estudados.
Para muitos casais, o teste de embriões é uma opção atraente porque afasta o risco de que, durante uma gravidez, se descubra que o feto tem anormalidades genéticas graves – nesse caso, muitas mães optam pelo aborto. Há um ano, a francesa Danielle Jamond pensou em engravidar mesmo sabendo que poderia ter de fazer essa escolha. Ela tem uma mutação genética que a torna suscetível a desenvolver câncer de cólon. Quando soube de um médico que desenvolveu um teste para seu tipo de câncer, não pensou duas vezes. “Era uma opção óbvia”, diz Danielle, que no passado fez uma cirurgia para remover parte do intestino grosso – uma medida preventiva contra o desenvolvimento da doença em pessoas com seu tipo de mutação genética. Na clínica de reprodução assistida, foram fertilizados doze óvulos de Danielle, mas somente quatro embriões se desenvolveram. Três estavam livres da mutação genética. Destes, só dois se desenvolveram e foram transferidos para seu útero. Ali, apenas um sobreviveu e hoje ela está grávida de seis meses. De uma menina.
Poucos países dispõem de legislação específica sobre a fertilização in vitro com análise de embriões. Na Itália, que tem leis rígidas quando o assunto é reprodução assistida, o procedimento é proibido. A Inglaterra acaba de aprovar uma lei que permite o exame para testar o risco de câncer de cólon e de mama. No Brasil, não se costuma fazer testes de embriões para prevenir câncer, apenas doenças hereditárias e graves – ao custo médio de 10.000 reais. Nada a ver com razões éticas. É sabido que muitas clínicas de reprodução assistida no país, contrariando uma resolução do Conselho Federal de Medicina, testam embriões para que os pais escolham o sexo da criança.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações da Revista Veja.
Repórter: Leoleli Camargo.
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