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Remédio para hemodiálise no lixo

Publicado em: 22/09/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

Polícia encontrou 90 caixas com soro e sondas, em canavial, às margens da BR-408, em Paudalho. Produtos foram comprados pelo SUS

A Polícia Civil vai investigar o desperdício de 90 caixas de produtos utilizados em sessões de hemodiálise que foram jogadas num canavial, às margens da BR-408, em Paudalho, na Zona da Mata Norte, distantes 44 quilômetros do Recife. A carga contendo sondas, mangueiras e sacos de 600 mililitros de um tipo específico de soro, encontrada por policiais após uma denúncia repassada à delegacia do município, foi comprada com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a delegada de Paudalho, Cláudia Valadares, a carga com material para hemodiálise recolhida anteontem à tarde, não é falsificada e ainda está no prazo de validade. “Achamos estranho o abandono do material, usado nos hospitais, e começamos a investigar o caso a partir da única pista, que era o nome do destinatário do produto”, explicou. Os policiais descobriram que a carga tinha sido encaminhada para a paciente Odete Maria de Almeida, de 60 anos, que faleceu no último dia 3 de setembro, e foi jogada no matagal pela filha dela, a dona de casa, Alda Maria de Almeida, de 38 anos.

Segundo a dona de casa, o material era fornecido pelo SUS há aproximadamente um ano para sua mãe, que fazia o tratamento na Clínica do Rim de Carpina, na mesma região. “Mas cerca de três meses antes de morrer, ela precisou passar por uma cirurgia e não fez mais a hemodiálise.”

Alda Maria ainda contou à polícia, que foi até a clínica e ofereceu as caixas, porque não tinha condições de guardá-las em casa, por falta de espaço. “Mas a enfermeira-chefe se recusou a receber, afirmando que a clínica já tinha o material. Então, pedi para que meu marido, com a ajuda do vizinho, deixasse as caixas no matagal.”

A enfermeira-chefe da Clínica do Rim de Carpina informou que não poderia aceitar o material. “A clínica é particular, mas atende pacientes do SUS. Eu falei que ela retornasse com o material para casa, porque não tinha sido solicitado por nós”, argumentou.

A delegada também informou que vai entrar em contato com a Secretaria de Saúde para ver se os materiais ainda podem ser aproveitados no tratamento de pacientes e que abriu inquérito para apurar a responsabilidade do desperdício. “Afinal, se o tratamento era pago pelo SUS, é dinheiro público e foi jogado no lixo.”

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações do Jornal do Commercio.

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