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Descobridor do HIV quer testar vacina em humano

Publicado em: 22/09/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

Robert Gallo diz que imunização preventiva foi testada com sucesso em macacos. Teste inicial foi feito só com quatro animais e está sendo repetido em 12; cientista americano diz que fase 1 pode começar em um ano

O cientista americano considerado co-descobridor do vírus da Aids declarou ontem ter desenvolvido uma vacina contra a doença que já matou mais de 25 milhões de pessoas.

O último teste da nova vacina foi feito apenas em quatro macacos. Mas Robert Gallo, que em 1984 identificou o vírus HIV como causador da Aids, juntamente com o francês Luc Montagnier, disse que a descoberta lhe deu mais esperança de que a doença possa ser derrotada do que ele já sentiu em uma década. O teste está sendo ampliado agora para 12 macacos. Se funcionar, os testes em humanos podem começar em um ano, afirmou o cientista.

Quase 40 milhões de pessoas vivem hoje com o HIV, a maioria na África subsaariana. Uma vacina que interrompa a disseminação do vírus é um sonho que já consumiu 20 anos e vários milhões de dólares – até agora, tudo em vão.

Há algumas vacinas promissoras em teste, mas elas são terapêuticas: servem para conter o vírus após a infecção. Uma delas, que aumenta a resposta imune dos pacientes, foi co-desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco e da Universidade de Paris, e funcionou em testes iniciais com seres humanos.

Gallo, que dirige o Instituto de Virologia Humana da Universidade de Maryland, EUA, diz que seu grupo de pesquisas criou anticorpos que funcionaram contra um grande número de linhagens de HIV, um passo essencial para uma vacina preventiva -mas que até agora se havia mostrado difícil de obter, pois o HIV sofre mutações com extrema facilidade, integra-se no genoma do paciente e ataca as próprias células do sistema imunológico encarregadas de combater invasores.

“Sim, estamos num estágio preliminar, mas se dez anos atrás eu soubesse que poderia fazer anticorpos que neutralizariam uma ampla gama de variantes do HIV, eu teria comemorado”, afirmou.

“As pessoas achavam que isso fosse impossível. É um avanço clínico importante. Não sei qual será o resultado do último teste clínico [com 12 macacos], mas meu palpite é que partiremos para os testes clínicos de fase 1 [em humanos] em um ano”, continuou.

Gallo disse que a abordagem usada por seu grupo foi modificar o envelope protetor do vírus, abrindo um sítio e fazendo anticorpos que o impedem de entrar nas células. O primeiro problema a contornar é o fato de os anticorpos só durarem três meses no máximo, o que implicaria em quatro imunizações por ano. “Eu me sinto otimista, mas não quero parecer Poliana. O HIV sempre nos preparou surpresas”, disse Gallo.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações de JEREMY LAURANCE & PAUL VALLELY, do jornal Independent, de Londres.

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