Publicado em: 05/10/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Criado pela lei 8080 de 1990, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi concebido para colocar em prática um dos princípios básicos da Constituição de 1988 e uma das condicionantes fundamentais para se garantir cidadania e dignidade: o direito universal à saúde. No entanto, passados 16 anos, por ineficiência estrutural e governamental, continua muito longe de atingir o seu principal objetivo.
Sofre com a insuficiência de investimento e com outro problema fundamental: o gerenciamento de comando único e de execução capilarizada em 5.560 municípios. Infelizmente falta muito para termos, de fato, um sistema universal, integral e equânime. O financiamento insuficiente e estrangulador, além de inúmeros entraves para a implantação firme e continuada do SUS, devem ser enfrentados com coragem e sem ranços partidários. Nenhum homem público responsável pode permitir que a Federação, os estados e municípios continuem desviando para outras rúbricas, na maior desfaçatez, dinheiro legalmente vinculado ao atendimento à saúde pela Emenda Constitucional 29, a exemplo do que ocorreu com o Bolsa-Família, ou outros programas assistenciais. Quanto à Emenda, o ex-ministro da Saúde, Saraiva Felipe, denunciou por diversas vezes que 20 dos 27 Estados da Federação não cumpriram o estabelecido no ano passado.
Por isso, neste momento, a grande luta de todos os agentes de saúde é romper com o imobilismo do Congresso Nacional, pressionando-o para regulamentar urgentemente a Emenda 29. Essa normatização definirá exatamente o que são gastos em saúde, garantirá mais recursos ao setor e, simultaneamente, abrirá as portas para que sejam acionados legalmente e devidamente punidos aqueles que desviam dinheiro do atendimento aos cidadãos.
O SUS se configura como o maior e mais audacioso programa de saúde pública do mundo, responsabilizando-se, teoricamente, pelo atendimento de 180 milhões de brasileiros. São 2,21 bilhões de procedimentos e 12 milhões de internações por ano em uma rede de 6.200 hospitais vinculados e 63 mil unidades ambulatoriais. É, com certeza, o maior e mais completo modelo de inclusão social da América Latina e dos países emergentes.
Na prática, 140 milhões de cidadãos são completamente dependentes dos serviços públicos de saúde. Os outros 40 milhões que pagam medicina suplementar têm o direito de se valer dos serviços do SUS quando desejarem, ou quando seus planos de saúde se recusam a cobrir certos procedimentos, geralmente os mais caros.
Se não contar com a mobilização da sociedade, infelizmente o SUS corre o risco de não sobreviver dentro dos princípios estabelecidos pela Constituição da forma como vem sendo gerenciado. Pode-se dizer que a conquista maior ocorreu quando se garantiu no texto constitucional o arcabouço de um sistema de saúde universal e promotor de inclusão. Contudo, a construção desse modelo ainda está em início de obras. E o governo, nunca é demais repetir, deveria ser ator importante nessa construção. Tanto para impedir desvios no setor, como no caso do descumprimento de parte da legislação que define a parcela de financiamento mínimo ao SUS como no sentido de elencar políticas voltadas à sua consolidação. Isso impedirá não só prejuízos à grande maioria da população, mas também o desgaste da imagem de um sistema público que já carece de amplo apoio de boa parte da sociedade.
O estado brasileiro precisa urgentemente colocar ordem no segmento de saúde, assumindo as rédeas como financiador e regulador, sem impedir que o setor privado continue desempenhando o seu relevante papel para a saúde da nossa população. Isso, com certeza, será um eficaz e importante passo no sentido de transformar e consolidar de vez o sistema, garantindo condições adequadas de saúde ao povo brasileiro e um futuro melhor para todos.
Eleuses Vieira de Paiva, ex-presidente da Associação Médica Brasileira.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Fonte: Acontece Comunicação e Notícias.
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Miguel Arcanjo,...
Leia Mais
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Miguel Arcanjo...
Leia Mais
O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) promoveu, na tarde desta...
Leia Mais
Na manhã desta quarta-feira (08/04), o coordenador do setor jurídico do Conselho...
Leia Mais
O médico Miguel Arcanjo tomou posse, na noite desta quarta-feira (1º de...
Leia Mais
O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) marcou presença, no dia...
Leia MaisConselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco
Rua Conselheiro Portela, 203 - Espinheiro, Recife, PE, 52020-185
CNPJ 09.790.999/0001-94
Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco
Rua Conselheiro Portela, 203 - Espinheiro, Recife, PE, 52020-185
CNPJ 09.790.999/0001-94
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |