Publicado em: 19/10/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Maria Luiza Bezerra Menezes
Professora adjunta, PhD, do Departamento Materno-Infantil – UPE / Presidente da SBDST
DIA NACIONAL DE COMBATE À SÍFILIS: CAMINHANDO PARA A ELIMINAÇÃO DA SÍFILIS CONGÊNITA
Em 1905, pesquisadores alemães, Fritz Richard Schaudinn e Paul ErichHoffmann descreveram o Treponema pallidum como o agente causador da sífilis. Em 1906, o bacteriologista August Paul von Wassermann desenvolveu a primeira sorologia para sífilis [Lues]. Embora essas descobertas sejam altamente efetivas e muito usadas na prática médica e que o tratamento da sífilis seja uma realidade há pelomenos 50 anos, a doença se mantém como um sério problema de saúde pública em todo o mundo.
A sífilis congênita [SC] tem representado um grande desafio à saúde pública, no Brasil, pela sua elevada prevalência e graves seqüelas perinatais.A Organização Mundial de Saúde [OMS] considera que a doença é eliminada quando existe a ocorrência de menos de um caso para cada 1.000 nascidos vivos. maioria dos municípios brasileiros está muito longe dessa .
O governo brasileiro assinou um protocolo junto à OMS, em 1992,comprometendo-se a eliminar a SC, até o ano 2.000. A SC é uma doença sentinela. Isto quer dizer que, quando ela está presente, e sem controle, a saúde pública tem sérios erros estruturais. A SC é o resultado da transmissão da sífilis, da gestante infectada não tratada ou inadequadamente tratada, para o seu bebê, através da placenta.Sabe-se que a transmissão vertical [da mãe para o filho] da doença pode ocorrer em qualquer fase da gestação.
Nas gestantes, com sífilis recente não tratadas, a taxa de transmissão vertical é de 70% a 100%, e na tardia de 30% a 40%, podendo ocorrer abortamento, natimorto ou morte perinatal em aproximadamente 40% das crianças infectadas. Mais de 50% das crianças infectadas não apresentam sintomas ao nascer, porém pode levar a graves seqüelas, daí a importância da triagem sorológica da mãe na gravidez e parto.
No Brasil a taxa de prevalência de sífilis em gestantes é 1,6%. Com essaprevalência, em três milhões de partos realizados a cada ano calculam-secerca de 48.000 gestantes com sífilis e a ocorrência de 12.000 casos de SC.Apesar de ser um agravo de notificação compulsória, apenas 30% desses sãonotificados por ano no Brasil. O exame para sífilis é um direito da mulher durante o pré-natal e noparto, assegurado pelas portarias ministeriais 569/00 e 766/04, porém a maioria das mulheres desconhece esse direito.
No Brasil, no período de 2000 a 2005 houve 24.761 crianças internadas por SC, o que custou ao País mais de R$ 10 milhões, gastos esses que poderiam ter sido minimizados. Em janeiro deste ano nova portaria [GM 156 de 19/01/06] determina a utilização da penicilina pelas Unidades Básicas de Saúde e demais unidades do SUS.
A despeito de tudo que foi descrito, o controle da SC continua sendo um desafio para os gestores e profissionais de saúde. Em suma, são necessárias ações para o fortalecimento do Dia Nacional de Combate à Sífilis Congênita: caminhando para a eliminação da sífilis congênita, porque: apesar de: existir protocolo para o manejo clínico laboratorial da doença, ser uma doença de fácil diagnóstico, existir a disponibilidade do diagnóstico na rede pública de saúde, ser uma doença curável com tratamento eficaz e de baixo custo, a medicação específica está disponível na rede pública de saúde, o pré-natal tem cobertura de mais de 90% no país, ainda: existe a invisibilidade da sífilis como um problema de saúde pública,a população desconhece sinais e sintomas da sífilis,a população desconhece a gravidade e complicações da infecção para a criança, os profissionais nem sempre cumprem os protocolos estabelecidos, uma parcela considerável de gestores não mantém uma qualidade da atenção ao pré natal com fluxos de acesso a exames, resultados e tratamentos burocratizados, lentos ou inexistentes.
Essa data foi oficializada no VI Congresso da SBDST e II Congresso Brasileiro de Aids realizada entre 17 e 20 de setembro passado, em Santos, e ficará acordado que ocorrerá em todo 3º. sábado de outubro. Neste ano, precisamente no dia 21 e pretende-se com ela que se amplie o debate nos vários segmentos da sociedade, diminuindo o estigma em relação às DST, a sífilis se torne mais visível, como um problema para a população e que isso contribua para o alcance da eliminação da sífilis congênita no Brasil – Eliminasífilis.
A programação geral em cada cidade que aderir, tendo o apoio do Programa Nacional, Estaduais e Municipais de DST/Aids, perpassa por: atividade para profissionais de saúde [palestra, simpósio, seminário sobre sífilis e SC]; Uma atividade para estudantes do ensino fundamental [8a. série] e/ou para ensino médio; Uma atividade para a população em geral [passeata, distribuição de folhetos, tendas na praça, em estações rodoviárias, ferroviárias, metrôs, etc;Apoio e divulgação pela mídia, da Sociedade Brasileira de DST, Federação Brasileira das Sociedades de Ginecologia e Obstetrícia, Sociedade Brasileira de Pediatria, Sociedade Brasileira de Infectologia, Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, de DST, Sociedade Brasileira de Urologia, Programa Nacional de DST/Aids-MS, Programa Nacional de Saúde da Criança-MS, Programa Nacional de Saúde da Mulher-MS, Departamento de Atenção Básica-MS e Eliminasífilis.
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