Publicado em: 23/10/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
O auto-exame é uma importante forma de detectar precocemente a doença
O câncer de mama é o tumor maligno mais freqüente entre as mulheres – embora também seja encontrado nos homem, porém, em uma incidência muito menor. A doença é degenerativa e se caracteriza pela reprodução desordenada das células. Normalmente, depois de algum tempo de atividade, as células recebem um estímulo para sua morte, isso é, um mecanismo de regulação celular chamado apoptose. No câncer, as células perdem este sistema regulador acarretando a sua reprodução desordenadamente.
Segundo o médico George Siqueira Santos, mastologista do Hospital das Clínicas, da UFPE, o maior risco de câncer de mama relaciona-se à genética. “É importante fator de risco os antecedentes familiares de câncer de mama, ovário, endométrio nestas pacientes. Outros fatores como menarca precoce e menopausa tardia, dieta rica em gorduras e estresse também são considerados importantes”, alerta.
O quadro clínico das pacientes varia entre as assintomáticas (não apresentam sintomas) àquelas com nódulo palpável na mama, deformidades no formato da mama por retrações de pele, além de alterações da cor da pele ou ulcerações da mama em casos mais graves.
“O auto-exame, a mamografia e a ultra-sonografia são as principais formas para a localização dos tumores da mama. A partir da identificação do tumor, o diagnóstico é confirmado pelo exame histológico onde uma parte deste tumor é obtido por biópsia”, explica o mastologista.
A mamografia permite detectar a doença em casos iniciais, nos quais ainda não é possível identificar anormalidades por meio do exame de toque. Aliados a este exame, pode-se empregar métodos como a ecografia mamária, a punção aspirativa e/ou a biópsia do tumor.
A maioria dos cânceres de mama acomete as células dos ductos das mamas. Desse modo, o tipo de câncer de mama mais comum se chama carcinoma ductal. Já os cânceres que se instalam nos lóbulos da mama são chamados de carcinoma lobular. Segundo o mastologista George Siqueira, o carcinoma lobular, apesar de menos freqüente e menos agressivo, apresenta tendência a acometer as duas mamas; enquanto o carcinoma ductal é mais comum e agressivo. Já o carcinoma inflamatório de mama é um câncer raro e, geralmente, se apresenta de forma agressiva, deixando a mama vermelha, inchada e quente.
Alterações genéticas estão entre as principais causas, além de hábitos alimentares inadequados e radiação ionizante. Os estudos demonstram que mutações genéticas levam a um desequilíbrio entre os genes supressores tumorais e os genes oncogênicos.
O câncer de mama apresenta-se em forma de um tumor fixo, indolor, de superfície irregular e consistência endurecida. Podemos encontrar também retrações da pele ou do mamilo em conseqüência da aderência do tumor aos tecidos vizinhos.
O tratamento é multidisciplinar e envolve cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia.
O diagnóstico precoce é o mais importante para o tratamento adequado. Quanto mais cedo for detectado este tumor, melhor será o prognóstico da paciente e, conseqüentemente, uma melhor qualidade de vida.
Na cirurgia para retirada do câncer, dependendo do tamanho da mama, da localização do tumor e do provável resultado estético, o cirurgião retira apenas o nódulo, uma parte (setorectomia) ou a mama inteira (mastectomia) e os gânglios axilares. Goerge Siqueira esclarece que a mastectomia “é um procedimento cirúrgico mais radical dependendo do estadiamento do câncer. Em se diagnosticando o câncer precocemente, as cirurgias são mais conservadoras, procurando sempre a preservação da mama”.
Há cerca de oito anos, a dona-de-casa Juçara Marinho, 48 anos, descobriu que tinha o câncer. “Eu fiz o exame de toque e senti um caroço, como se fosse uma cabeça da palito de fósforo”, revela. Depois disso, ela procurou um médico que fez o exame de punção aspirativa e constatou a doença. “Quatro meses antes, eu havia feito uma mamografia que não acusou nada”, lembra. Juçara foi submetida a uma cirurgia para retirar um gânglio axilar e parte da mama (setorectomia) para extrair o tumor que, segundo conta, era do tamanho de um limão. Após a cirugia, ela enfrentou sessões de quimio e radioterapia.
Juçara afirma não se importar com o resultado da cirugia e que não teve problemas como depressão – os médicos desaconselharam-na a fazer uma cirurgia de reconstrução da mama. ” A única coisa que me incomoda é que meu braço não ficou normal. Eu tive um edema (inchaço) porque não poderia fazer esforço logo após a cirurgia, só que não fui alertada sobre isso. O resultado é que não tenho força no braço e isso me atrapalha na hora de conseguir um emprego, por exemplo”, lamenta.
De acordo com o cirugião plástico Antônio Carlos Braga, no caso de uma mastectomia (retirada total do seio), a reconstrução da mama possibilita, além da recomposição da anatomia, a recuperação da auto-estima, da feminilidade e a melhora da qualidade de vida das pacientes. “A reconstrução imediata permite, do ponto de vista psicológico, que não exista o trauma da mutilação, além de estimular uma melhor percepção da própria imagem pessoal (corporal )”, avalia o cirurgião. Ainda segundo o Antônio Carlos Braga, vários serviços de cirurgia plástica de hospitais públicos do Recife realizam tais procedimentos e a procura pelos serviços é intensa.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações de Roberto Silva, do JC OnLine.
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