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Turismo médico avança na Índia

Publicado em: 23/10/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

Doentes de vários países procuram hospitais indianos que cobram mais baratos pelas cirurgias do que nos EUA

O United Steelworkers, o maior sindicato dos Estados Unidos, divulgou no mês passado uma carta de protesto contra “a exportação de empregados americanos doentes para hospitais da Índia”. Segundo o sindicato, que reúne 850 mil empregados do setor de siderurgia, as empresas americanas estão estudando uma estratégia “revoltante” para reduzir seus custos com planos de saúde – mandar seus funcionários se tratarem em hospitais indianos. Os altos custos de assistência médica nos EUA são o cerne da crise de várias grandes companhias americanas, como a General Motors.

Na Índia, os hospitais estão comemorando o que promete ser a nova onda do outsourcing – a terceirização dos serviços médicos. Muitos já se preparam para receber milhares de trabalhadores americanos para operações cardíacas, ortopédicas e oncológicas, procedimentos muito caros nos EUA.

O turismo médico já é uma realidade na Índia. Muitos analistas prevêem que o setor de saúde será o próximo combustível da economia indiana, sucedendo a área de tecnologia da informação. O o país recebeu 150 mil turistas médicos no ano passado. O número de “turistas” cresce 15% por ano. A receita ainda não é grande – os turistas médicos geram US$ 350 milhões por ano para a Índia. Mas a previsão é que este número chegue a US$ 2,3 bilhões em 2012, com 1 milhão de pacientes estrangeiros por ano, segundo previsão da Confederação das Indústrias Indianas.

Pacientes de 55 países já se trataram na índia. A maioria vem de países onde as técnicas médicas não estão tão avançadas, como algumas nações na África, Oriente Médio e antigas repúblicas soviéticas. Mas um número crescente de britânicos tem vindo à Índia para se submeter a cirurgias, por causa das grandes filas de espera nos hospitais ingleses. E americanos que não têm seguro de saúde também estão recorrendo aos hospitais indianos, onde uma cirurgia cardíaca sai por até um terço do preço. “Esse será o grande salto, quando empresas começarem a incluir a Índia dentro de seus planos de saúde” diz Shobana Kamineni, vice-presidente do conselho do grupo Apollo Hospitals.

O grupo Apollo Hospitals, a maior rede de hospitais da Índia (46 hospitais e 70 clínicas), já está negociando com empresas americanas. “Estamos conversando com empresas dos EUA, é só uma questão de tempo”, diz Shobana. “Será a próxima fronteira do outsourcing.” Cerca de 10% dos pacientes atendidos no Apollo são estrangeiros. Uma prótese de joelho, na Índia, custa US$ 4 mil, enquanto nos EUA sai por US$ 15 mil. “Dá pra trazer um amigo ou esposa, pagar as passagens, relaxar em um resort aqui na Índia e ainda sai mais barato do que ser operado nos EUA.”

Muitos vêm de países pobres e têm seu tratamento bancado pelo governo. É o caso de Obino Mwimba, de 48 anos, professor primário na Zâmbia. Mwimba tem um tumor da glândula pituitária e, em seu país, não existem hospitais capazes de fazer a cirurgia de que ele precisa. O governo da Zâmbia o mandou para o hospital Apollo de Hyderabad, onde ele foi operado. Para os pacientes estrangeiros, o grupo oferece tradutores, cozinha especial, traslado do aeroporto e acomodação para parentes.

Em outro centro de excelência médica da Índia, o Escorts Hearts Institutes, que fica próximo a Delhi, cerca de 10% dos 330 pacientes do centro são estrangeiros. Ali, uma cirurgia para implantar marcapasso custa entre US$ 4 mil a US$ 6 mil. Nos Estados Unidos, chega a US$ 40 mil.O presidente do hospital, Naresh Trehan, vai inaugurar em 2007 um mega centro-médico com capacidade para 900 pacientes – o MediCity. Se as empresas americanas começarem a terceirizar sua assistência médica para hospitais indianos, pode faltar leito.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações de Patrícia Campos Mello, do jornal O Estado de São Paulo.

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