Publicado em: 18/12/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (AMS), do IBGE, aponta a redução, apesar da inauguração ou ampliação de alguns hospitais
O número de leitos oferecidos pela rede privada de saúde em Pernambuco sofreu redução nos últimos anos, apesar da inauguração ou ampliação de alguns hospitais. Os dados são confirmados pela Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (AMS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo assim, segundo a compreensão do Ministério da Saúde, Pernambuco ainda tem um número de leitos suficiente para atender à demanda. Pelo parâmetro utilizado pelo Ministério, a quantidade necessária de leitos (somando público e privado) para atender à população varia de 2,5 a 3 por mil habitantes. Pernambuco está no limite de 2,5.
Pelos dados do IBGE, havia 12.282 cômodos privados em 2002 no Estado. Em 2005, esse número estava em 11.452. A diferença de 830 leitos representa uma queda de 6,7% no período. Mardônio Quintas, presidente do Sindicato dos Hospitais de Pernambuco (Sindhospe), acredita que a tendência é piorar a relação do número de cômodos ofertados para a demanda de internações solicitadas. “No Grande Recife, a situação é de equilíbrio, com perspectivas de caminhar para o desequilíbrio”, afirma, tomando por base os hospitais privados que atendem usuários de planos de saúde.
Pela projeção do presidente do Sindhospe, a situação de desequilíbrio deve começar a ser sentida num prazo de 18 meses. A partir de então, haveria fila de espera para obtenção de leito. Essa redução do número de cômodos, explica Quintas, acontece pelo fechamento de hospitais nos últimos cinco anos. Para falar apenas dos privados no Grande Recife, Quintas elencou o João XXIII, HGU, Neuro, Procárdio, Prontocor, Unicordis da Rosa e Silva, Samiu, Crepe, São Lucas, Vitória Régia e São Lucas. Mas o levantamento do IBGE aponta a redução de 19 estabelecimentos com internação em Pernambuco, entre 2002 e 2005. Segundo Maria Isabel Mendes, gerente da Pesquisa, a base é essencialmente de hospitais.
Na avaliação de Quintas, o fechamento de hospitais é resultado do baixo crescimento econômico do Brasil e conseqüente redução da classe média. Ele diz ainda que as duas maiores seguradoras do Estado, Sul América e Bradesco, não estão mais contratando planos individuais, pois estão priorizando os empresariais. Com o crescimento baixo do Brasil, o vigor financeiro das empresas caiu e algumas terminaram não renovando o contrato com o plano de saúde.
Marta Lins, assessora jurídica da Associação de Defesa dos Usuários de Planos de Saúde (Aduseps), observa que faltam leitos para procedimentos de alta complexidade.
Planos de saúde afirmam que setor investiu na ampliação dos serviços
A queda no número de leitos de hospitais entre 2002 e 2005, conforme apontou o IBGE, não é sentida por todo segmento privado. Para Flávio Wanderley, presidente da Associação Brasileira de Medicina de Grupo em Pernambuco (Abramge-PE), as empresas de medicina de grupo e as cooperativas investiram muito na rede própria de hospitais nos últimos cinco anos. Wanderley também cita a ampliação de alguns hospitais de grande porte, como o caso do Santa Joana e o Real Hospital Português.
Na avaliação do presidente da Abramge, muitos hospitais pequenos deram lugar a estabelecimentos com uma gestão mais profissionalizada. “Devemos também levar em conta o porte dos hospitais que entraram”.
A Unimed Recife, por exemplo, construiu um hospital há três anos na Ilha do Leite, com 96 leitos. Há cinco anos, a Unimed tinha erguido o Hospital situado na Praça Chora Menino, no Paissandu, com 135 leitos. Segundo Maria de Lourdes Araújo, presidente da Unimed Recife, 50% dos serviços de internamento cirúrgico, internamento clínico e de urgências dos usuários do plano são feitos nos hospitais da Unimed. “Não temos dificuldade de número de leitos”.
O Hospital Santa Joana, por sua vez, ampliou de seis para 12 o número de leitos do centro de cardiologia, em 2005. Em 2001, a empresa tinha implantado a unidade de cuidados especiais, com 18 apartamentos.
Há rumores no mercado de que a Santa Clara inaugurará novo hospital em março do próximo ano. Mas Mardônio Quintas, presidente do Sindhospe, avalia que a demanda por leitos está crescendo com o envelhecimento da população. Cláudio Duarte, presidente da entidade que administra o plano de saúde dos servidores do Recife, concorda que o envelhecimento da população amplia a demanda por leitos. Por outro lado, diz Duarte, alguns ambulatórios hoje já realizam procedimentos antes feitos nos leitos.
Da Assessoriade Comunicação do Cremepe.
Com Informações de INES ANDRADE, do Jornal do Commercio.
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