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Pneumonia avança na América Latina

Publicado em: 18/12/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

Simpósio discutiu formas de cura da doença, que matou 18 mil crianças ano passado no Brasil

SÃO PAULO – Duas crianças morrem a cada hora por causa de doenças pneumocócicas na América Latina. A informação faz parte do mais completo estudo já realizado sobre enfermidades causadas pela bactéria Streptococcos pneumoniae. O relatório foi divulgado durante o 2º Simpósio Regional sobre Pneumococo, que reuniu mais de 320 especialistas em saúde, médicos, cientistas e representantes governamentais de todo o mundo durante a semana passada na capital paulista.

No encontro, os profissionais de saúde ainda discutiram os benefícios econômicos de uma vacina já aplicada em crianças nos Estados Unidos. O custo – cada dose tem o valor de US$ 53 e são necessárias três aplicações –, no entanto, faz com que apenas dois países latino-americanos a utilizem. No México, uma pequena parte da população tem acesso à substância. Já no Brasil, apenas crianças vulneráveis, que têm outros tipos de doença, recebem a vacina. Em 2005, o governo federal distribuiu 36 mil doses, uma quantidade considerada pequena, já que nascem cerca 3,2 milhões de crianças por ano no País.

Ainda de acordo com o estudo, o pneumococo matou mais de 18 mil crianças no ano passado. A bactéria é responsável por quatro tipos de doenças graves: meningite, pneumonia, infecção de ouvido e septicemia (infecção generalizada). Atualmente, apenas o laboratório Wyeth fabrica a substância, denominada de Setevalente, ou seja, que cobre sete dos 13 sorotipos considerados mortais. O laboratório anunciou no simpósio que pretende lançar uma vacina mais eficaz – a Trezevalente – até 2008.

De acordo com a epidemiologista chilena Maria Teresa Valenzuela, que foi uma das principais autoras do estudo, além da alta mortalidade, a bactéria ainda é responsável por várias seqüelas. “Um exemplo são os casos de infecções agudas no ouvido médio. A cada ano, mais de 1,3 milhão de casos são registrados, dos quais 20% deixam seqüelas”, explicou.

Os especialistas responsáveis pelo estudo passaram um ano pesquisando a bactéria na região. Até então, não havia estimativas confiáveis sobre os danos sociais e econômicos do pneumococo na América Latina. Segundo o relatório, os governos dos países latinos gastam, ao todo, cerca de US$ 300 milhões com internação, mais US$ 40 milhões que recaem sobre as famílias, já que as vacinas são vendidas em clínicas particulares.

PROMESSA – Ao fim do simpósio, na última sexta-feira, líderes e representantes dos setores de saúde de vários países do continente americano se comprometeram em promover o uso da vacina para prevenir a doença. Junto com representantes das principais organizações de financiamento e de fabricantes de vacina, o 2º Simpósio Regional sobre Pneumococo se comprometeu a fazer de 2007 o ano do combate à doença pneumocócica nas Américas.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com Informações do repórter Carlos Eduardo Santos, do Jornal do Commercio.

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