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Leucemia não é influenciada pelo nível socioeconômico

Publicado em: 13/02/2007 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

A leucemia é um tipo de câncer das células do sangue. Atinge principalmente as crianças, embora alguns tipos de leucemia afetem indivíduos idosos. A doença desenvolve-se a partir de modificações estruturais, nas células de defesa do organismo, os glóbulos brancos. A leucemia apresenta uma série de fatores de risco, os quais contribuem para o seu surgimento, sendo os mais importantes a herança genética e a exposição a radiações.

Existem várias subclassificações para a leucemia, conforme o tipo de célula que esteja envolvida no desencadeamento da doença. O tratamento, de um modo geral, depende do subtipo da doença e da idade do indivíduo acometido. Ultimamente tem-se verificado uma melhora substancial, na sobrevida dos indivíduos acometidos pela leucemia, graças ao desenvolvimento de medicações mais potentes e ao surgimento de novas modalidades de tratamento. Os casos mais graves de leucemia são geralmente tratados com o transplante de medula óssea.

Alguns estudos demonstraram que, as crianças que pertencem a famílias de melhor nível socioeconômico, estão sob maior risco de desenvolver a leucemia, em relação às crianças pertencentes a famílias de baixo nível socioeconômico. Porém tal afirmação é bastante controversa, conforme revelou um grupo de pesquisadores ingleses, que escreveu um trabalho na revista International Journal of Epidemiology, em 2006.

O estudo visava comprovar a veracidade desta acepção. Ele foi desenvolvido com a participação de 4.430 crianças portadoras de câncer, com idades entre 0 a 14 anos, pertencentes às mais diversas classes socioeconômicas. Do total de participantes, 1.578 apresentavam o diagnóstico de leucemia linfoblástica aguda. Foi utilizado um outro grupo, com 7.763 crianças saudáveis, a fim de se comparar com o grupo de crianças doentes.

Não se encontrou diferença entre o nível socioeconômico e o risco de surgimento de nenhum tipo de câncer, inclusive da leucemia. Nem mesmo quando se dividiram as crianças conforme a idade, foi possível notar influência da classe socioeconômica no risco de desenvolvimento de leucemia.

Assim, os autores concluem que a postulação de que, o nível socioeconômico exerce influência na chance das crianças desenvolverem leucemia, é inverídica. Os achados divulgados em outros estudos, que confirmavam esta hipótese, possivelmente se deveram a influência de outros fatores, que não a classe socioeconômica, reiteram os pesquisadores.

Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Fonte: International Journal of Epidemiology, 2006; 35 (6): 1504 – 1513; doi:10.1093/ije/dyl193.

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