Publicado em: 11/04/2007 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
O Instituto de Medicina Legal (IML) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal descobriram a causa da morte do comerciante Marcelo Nóbrega Gomes, de 23 anos, após seis meses de investigação. Os laudos cadavéricos revelaram que o jovem contraiu leptospirose. Ele não resistiu aos ataques provocados pela bactéria presente na urina dos roedores – a Leptospira interrogans – e morreu em setembro do ano passado depois de uma semana de luta.
Na época, a Secretaria de Saúde suspeitou de dengue, hantavirose e da própria leptospirose. Apesar de aliviada, a família acusa de negligência um dos médicos envolvidos no caso. As estatísticas de zoonoses – doenças de animais, transmitidas aos humanos – mostram que na maioria dos casos (90%) a evolução é benigna.
O exame realizado pelo IML apontou alterações nos pulmões, fígado, baço e rins de Marcelo. Indicou hemorragias, atividades inflamatórias e congestões. Concluiu que o rapaz sofreu um “processo inflamatório agudo e crônico comprometendo fígado e rins, com quadro hemorrágico pulmonar. Compatível com leptospirose íctero-hemorrágica”. O local mais provável de infecção fica numa área rural distante 25km de Brazlândia e a 70km de Brasília. O jovem, de 1,93m e 97kg, sentiu dores de cabeça e febre logo após um mergulho num rio da localidade.
A família recebeu a confirmação da causa da morte como o fim de uma angústia. “Faltava alguma coisa. Não dava para viver assim”, desabafou o pai de Marcelo, o delegado aposentado Horácio Joaquim Rolo, 53, que vê negligência na investigação da doença. O médico Cássio Micelli Guimarães teria contribuido para a tragédia, diz o pai. Cássio examinou Marcelo no Hospital Santa Marta, em Taguatinga. “Ele achou que fosse rotavírus. Receitou medicamentos que pioraram a saúde do meu filho”, denunciou.
Os sintomas
O atendimento em Taguatinga ocorreu dois dias após a manifestação dos primeiros sintomas da doença – Marcelo havia mergulhado num rio de Brazlândia em 10 de setembro, um domingo, e voltou para casa por causa de um mal súbito. Na segunda-feira, acordou com febre e dores de cabeça e musculares intensas. Foi examinado no posto médico do Tribunal de Contas do Distrito Federal, onde o pai trabalha. A origem do desconforto não foi detectada e o rapaz ficou em observação por 48 horas.
A saúde dele piorou no dia seguinte. O pai se desesperou. Levou Marcelo ao Hospital Santa Marta, onde o médico Cássio Guimarães o atendeu. O cardiologista e clínico geral suspeitou de uma virose. No caso, a ação do rotavírus, que infectou milhares de brasilienses em 2006. O jovem deixou o centro clínico com receitas para quatro medicamentos. Nenhum deles eram antibióticos, indicados para o combate à doença. Marcelo tomou os remédios na quarta e quinta-feira, mas não adiantou. Na sexta-feira, as dores nos ombros desceram para as panturrilhas. Tinha crises de vômito e diarréia.
Horácio ligou, então, para dois médicos conhecidos. Arriscaram leptospirose. Com o provável diagnóstico, Marcelo chegou ao Hospital da Unimed, na 716 Sul, com 7kg a menos e a pele amarelada. Às 6h de sábado, o garoto não resistiu aos ataques da doença. “Era um menino saudável, que raramente ficava doente. Alguma coisa foi feita de errado, não é possível. Depois de tudo o que aconteceu, consultei outros especialistas e todos foram unânimes em dizer que houve negligência no atendimento do Santa Marta”, disse o delegado aposentado.
Conselho Regional de Medicina abre sindicância
A Secretaria de Saúde do DF e o IML só confirmaram a leptospirose como a causa da morte de Marcelo Nóbrega após uma série de exames nas vísceras da vítima. Foram seis meses de testes até a certeza do resultado. O laudo foi encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul. Além de investigar as circunstâncias da morte do comerciante, a polícia avalia uma possível negligência do médico Cássio Guimarães. Ele prestou depoimento na delegacia e aguarda a definição do caso, ainda sem previsão para ser concluído.
Ao Correio, Cássio Guimarães alegou que não houve falha no atendimento no Hospital Santa Marta. Argumentou que a leptospirose é de difícil diagnóstico. E que não há possibilidade de identificá-la logo num primeiro exame. “O quadro inicial da leptospirose é viral, e o tratamento é para os sintomas. Se há vômito, remédio para vômito. Se há diarréia, remédio para diarréia. Só se descobre tal doença com bateria de exames. Isso seria feito caso o paciente não melhorasse. Ele deveria ter voltado logo ao hospital. Mas a família demorou quatro dias para o novo exame”, defendeu-se. O médico informou que tem dois anos de experiência em clínica médica e outros dois em cardiologia. As duas especializações constam no carimbo de identificação profissional dele, mas não aparecerem especificadas no registro do Conselho Regional de Medicina (CRM). Segundo Guimarães, falta apenas atualizar a inscrição para que as atuais especializações sejam computadas. Ele atende tanto no setor de emergência quanto no de cardiologia do Santa Marta. A reportagem procurou a direção do hospital, mas não houve retorno das ligações.
Guimarães também passa por sindicância no CRM por causa da morte de Marcelo Nóbrega. O presidente da entidade, o médico José Ferreira Nobre Formiga Filho, não deu informações sobre a investigação interna. Limitou-se a dizer que a leptospirose tem o diagnóstico complicado e se manifesta num primeiro momento como uma doença de origem viral.
A Secretaria de Saúde registrou 129 casos do mal entre 2003 e 2006. A diretora da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde, Disney Antezana, disse que até 30% dos pacientes evoluem para a morte. Apesar do índice de óbitos, ela avalia os números como “normais” e descarta a necessidade de uma campanha educativa emergencial. “A doença existe no DF e ataca pessoas que lidam com resíduos sólidos nas áreas urbanas e rurais. A bactéria está principalmente na urina da ratazana. Por isso deve-se evitar andar descalço, ainda mais em época de chuva”, alertou.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Com texto de Guilherme Goulart, da equipe do Correio Braziliense.
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