Publicado em: 11/06/2007 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Médicos entram em estado de alerta permanente em defesa da saúde da população
Reunidos em Brasília, no período de 6 a 8 de junho, durante o XI Encontro Nacional das Entidades Médicas (Enem), os médicos brasileiros, por intermédio de suas representações, fizeram uma acurada análise do sistema de saúde no Brasil.
Como resultado, a constatação de graves problemas e o compromisso com a sociedade obrigam os profissionais de medicina a entrar em estado de alerta permanente em defesa da saúde e da população.
Os médicos entendem que o SUS tem papel fundamental na garantia da assistência à saúde da população, pois conceitualmente assegura o direito à saúde integral, de qualidade e ágil. Porém, identificam dificuldades que comprometem a qualidade do atendimento. Entre elas, a mais grave: o seu financiamento.
Constatam haver grave insuficiência de recursos e exigem a ampliação da receita orçamentária, a começar pela destinação exclusiva da arrecadação da CPMF para o SUS.
Exigem, ainda, a regulamentação, em caráter de urgência, da Emenda Constitucional 29, que estabelece a fixação das ações em saúde, a destinação obrigatória de recursos por parte da União, estados e municípios, e, principalmente, quais gastos podem ser efetivamente considerados como investimentos no setor.
Ressalte-se que essa regulamentação é imprescindível para combater desvios hoje verificados em todas as instâncias de governo. Atualmente, a EC 29 não é cumprida por, no mínimo, 18 estados e por mais de 2.000 municípios brasileiros.
As conseqüências são o deficiente atendimento aos cidadãos, as precárias condições de trabalho para médicos e demais profissionais de saúde, a situação de penúria da rede de atendimento e a ameaça de falência de muitos hospitais que priorizam suas ações para o SUS.
Os médicos também constataram outras distorções inadmissíveis: a assistência prestada no Programa Saúde da Família, quer nas Unidades Básicas de Saúde, quer na assistência secundária e na alta complexidade, apresenta graves problemas, dificultando a inserção dos profissionais nas diversas equipes. Foram identificadas situações de precarização, grandes diferenças salariais, dificuldade de progressão na carreira e severas restrições aos direitos previdenciários. É imprescindível o respeito aos preceitos da lei que define a remuneração mínima do médico, adequando-a a valores preconizados pelas entidades.
Rigor na formação, qualificação dos médicos e revalidação de diplomas
O compromisso com um atendimento de qualidade à comunidade obriga os médicos a denunciar o grave problema da abertura indiscriminada de escolas médicas. Hoje, o Brasil é o segundo país em números absolutos de faculdades de medicina, com 167 − superado apenas pela Índia, que tem 202 e uma população seis vezes maior que a nossa.
Esses cursos possuem, em sua maioria, qualidade duvidosa. São autorizados a funcionar por ação de influências políticas questionáveis e interesses mercantilistas. O resultado inevitável é a formação inadequada de médicos, o que acaba pondo em risco a saúde da população.
Os médicos exigem das autoridades competentes a adoção de medidas enérgicas para coibir a proliferação irresponsável de faculdades de medicina. Exigem ainda a fiscalização rigorosa das escolas em funcionamento, para obrigá-las a atender todos os requisitos necessários a uma boa formação − e as que assim não procederem devem ser fechadas.
A residência médica, melhor modelo para a formação de especialistas, deve ser ampliada, adequando as vagas existentes às necessidades sociais e técnicas. Contudo, deve ser preservada a autonomia da Comissão Nacional de Residência Médica.
Os médicos brasileiros e estrangeiros devem se adequar à legislação vigente. Para os formados no exterior, impõe-se a revalidação do diploma em moldes uniformes, definidos por comissão bipartite, governo e entidades médicas, realizada sob supervisão do Ministério da Educação em universidades públicas. Os médicos brasileiros repudiam todo e qualquer acordo que fira a legislação e privilegie profissionais formados em qualquer país.
Destaque-se que esforços para a qualificação permanente dos médicos estão sendo empreendidos pelas próprias entidades, por intermédio de programas de educação continuada, certificação e recertificação, com o objetivo de garantir uma assistência de bom nível aos brasileiros.
Uma saúde suplementar digna e completa para os usuários do sistema
A saúde suplementar tem recorrido a medidas restritivas do atendimento com a proibição de procedimentos médicos e remunerações insuficientes, negando-se a adotar como referência a Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM). Insiste na transferência de responsabilidade aos médicos por meio de controles coercitivos, a exemplo da Troca de Informações da Saúde Suplementar (TISS), agredindo a privacidade dos pacientes, rompendo o direito de preservação de sua intimidade e ferindo o segredo profissional.
A aprovação definitiva da CBHPM pelo Congresso Nacional garantirá o acesso da população às novas práticas médicas éticas, exigindo da saúde suplementar uma cobertura completa aos usuários do sistema.
Garantia de acesso fácil, eficiente e universal à saúde da população
Os médicos não abrem mão da política de saúde pública sustentada em orçamentos próprios suficientes, com qualificação profissional adequada e crescente.
No intuito de dar qualidade ao atendimento à população brasileira, os médicos entendem como elementos essenciais condições de trabalho tecnicamente adequadas, remuneração justa e uma carreira de Estado, o que garantirá satisfação profissional e perspectiva de futuro. Defendem, ainda, contratos de trabalhos formais e combatem os valores aviltantes da tabela SUS, os mecanismos inapropriados de terceirização e a precarização do trabalho médico.
Fundamentalmente, é primordial garantir que a população tenha acesso fácil, eficiente e universal à saúde.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Cobertura do evento: Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina e Federação Nacional dos Médicos.
A Associação Nacional de Assistência ao Diabético promoverá, entre 22 e 24...
Leia MaisO 9º Congresso Norte-Nordeste de Reprodução Humana será realizado em Belém (PA),...
Leia MaisEntre 3 e 6 de setembro será realizado em Salvador, na Bahia,...
Leia MaisUm menino de quatro anos, do bairro Iraque, é a nova vítima...
Leia MaisO Ministro da Saúde, Humberto Costa, anunciou nesta quarta-feira dia dois, durante...
Leia MaisO Conselho Regional de Medicina (Cremepe) pretende percorrer 60 cidades do interior...
Leia MaisConselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco
Rua Conselheiro Portela, 203 - Espinheiro, Recife, PE, 52020-185
CNPJ 09.790.999/0001-94
Conselho Regional de Medicina do Estado de Pernambuco
Rua Conselheiro Portela, 203 - Espinheiro, Recife, PE, 52020-185
CNPJ 09.790.999/0001-94
| Cookie | Duração | Descrição |
|---|---|---|
| cookielawinfo-checkbox-analytics | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Analytics". |
| cookielawinfo-checkbox-functional | 11 months | The cookie is set by GDPR cookie consent to record the user consent for the cookies in the category "Functional". |
| cookielawinfo-checkbox-necessary | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookies is used to store the user consent for the cookies in the category "Necessary". |
| cookielawinfo-checkbox-others | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Other. |
| cookielawinfo-checkbox-performance | 11 months | This cookie is set by GDPR Cookie Consent plugin. The cookie is used to store the user consent for the cookies in the category "Performance". |
| viewed_cookie_policy | 11 months | The cookie is set by the GDPR Cookie Consent plugin and is used to store whether or not user has consented to the use of cookies. It does not store any personal data. |