Publicado em: 28/09/2021 | Por: Joelli Azevedo
Criada para alertar sobre o diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil, a campanha Setembro Dourado motivou, nesta terça (28), uma audiência pública conjunta das Comissões de Cidadania e de Saúde da Alepe. Com a presença de gestores e especialistas, o encontro reforçou a importância de profissionais de saúde básica estarem preparados para detectar possíveis sinais e sintomas de neoplasias malignas. Além disso, chamou atenção para o acesso a tratamento humanizado de pacientes e familiares em centros de oncologia pediátrica. A conselheira do Cremepe, Sandra Araújo, que também é oncologista pediátrica, representou a autarquia na audiência.
Ao abrir a reunião virtual, a presidente do colegiado de Cidadania, deputada Jô Cavalcanti, das Juntas (PSOL), citou dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). Ela enfatizou que a enfermidade é responsável pela maioria das mortes por doenças entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos. Em média, 12 mil novos casos são diagnosticados anualmente. A parlamentar ressaltou, porém, que cerca de 80% deles podem ser curados, se identificados cedo e tratados em unidades especializadas.
“Muitos pacientes só são encaminhados aos centros de tratamento com a doença avançada”, disse a titular do mandato coletivo. “É importante reduzir a desigualdade no acesso ao diagnóstico e na qualidade do tratamento e, assim, melhorar os resultados terapêuticos para todas as crianças”, prosseguiu.
O projeto “Fique Atento: Pode ser Câncer”, do Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer (GAC-PE), foi destacado como um exemplo pelos participantes. Por meio dessa iniciativa, a entidade, que funciona no Centro de OncoHematologia Pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc/UPE), oferece capacitação a profissionais das equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), com o objetivo de facilitar o diagnóstico. As aulas acontecem através do Núcleo de Telessaúde da UFPE (Nutes).
A deputada Alessandra Vieira (PSDB), que solicitou e presidiu a audiência, evidenciou a importância do GAC-PE no sentido de humanizar o tratamento das crianças com câncer. Ela apresentou um projeto de lei para que o “Fique Atento” seja implementado na Rede Estadual de Saúde. A parlamentar também é autora da norma que institui a Política Estadual de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente com Câncer. “Esperamos que o Setembro Dourado faça a população e os governantes enxergarem essa questão e fazerem mais por essas crianças e famílias que passam por um momento tão difícil”, expressou a deputada.
Presidente do GAC-PE, Vera Morais explicou que as aulas do “Fique Atento” estão disponíveis nas plataformas digitais para qualquer profissional de saúde. De acordo com a gestora, para facilitar o encaminhamento de casos suspeitos de câncer, um serviço de pronto atendimento 24 horas foi criado para “dialogar” com esses profissionais que fazem a assistência na ponta. “Na década de 1970, quase 70% das crianças morriam. E eu não queria que isso acontecesse mais. O GAC está completando 24 anos e não podemos parar, pois o câncer continua sendo a principal causa de morte dessas crianças. Não atendemos apenas os pacientes, mas também suas famílias. Temos orgulho de estar à frente dessa instituição”, assinalou.
Ex-paciente do GAC, onde ficou dez meses internada, Larissa Souza atestou a importância do diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil. “No meu caso, demorou quase dois anos. Devido ao atraso, tive um tumor no fêmur, outro no útero e nódulos espalhados pelo corpo”, relatou. “Passei por muitos hospitais até chegar ao Oswaldo Cruz. Lá, o diagnóstico saiu no mesmo dia e fui encaminhada ao GAC”, acrescentou.
Após ver de perto o funcionamento do grupo, ela salientou o profissionalismo da equipe médica, o tratamento recebido dos voluntários e a assistência psicológica e social. “Sou profissional de educação física, mestranda, tenho um projeto com crianças com câncer e fiz o curso do ‘Fique Atento’”, prosseguiu. “Estou curada por causa do GAC e agradeço muito pelo que fez pela minha vida. Ter foco me deu forças para enfrentar o tratamento junto com minha família”, emendou Larissa.
O médico oncologista pediátrico Luiz Henrique Soares, do Instituto do Câncer Infantil do Agreste (ICIA), falou que a entidade promove a Caravana do Diagnóstico Precoce, a fim de levar o tema ao Interior do Estado. “O diagnóstico precoce tem consequências importantíssimas. Sem ele, o tratamento terá que ser mais agressivo e a possibilidade de sequelas é maior, assim como o custo e o sofrimento da criança e da família. Se unirmos forças, podemos salvar mais vidas”, pontuou.
Coordenadora da Política de Saúde da Criança do Recife, a pediatra Lélia Moreira disse que a Secretaria Municipal de Saúde tem incentivado os profissionais a participarem das formações do GAC. Para a coordenadora de Projetos Sociais da entidade, Naila Soares, garantir os direitos de crianças com câncer infantojuvenil exige leis, políticas públicas e recursos específicos na Lei Orçamentária. Diretora do Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco (Coren-PE), Aracele Cavalcanti defende uma comunicação mais adequada entre os serviços de saúde.
A audiência pública também teve a participação de representantes da Secretaria Estadual de Saúde e do Conselho Municipal de Defesa e Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente do Recife (Comdica).
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