Publicado em: 01/08/2007 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Durante a 4ª Assembléia Geral Extraordinária do Sindicato dos Médicos de Pernambuco os profissionais decidiram continuar a luta pela dignidade na saúde da rede estadual.
Mais de 350 médicos se reuniram, na noite desta terça-feira (31.07), no Teatro Waldemar de Oliveira/Boa Vista/Recife, mas, infelizmente, o motivo não era lazer. Vestindo camisas que estampavam a frase “Sou médico não concordo com essa vergonha”, os profissionais da categoria, em unanimidade, negaram a contraproposta oferecida pelo Governo Estadual. A 4ª Assembléia Geral Extraordinária do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), que poderia ser decisiva para o fim da crise na saúde, terminou com a certeza de que os profissionais da área estão dispostos a lutar pelos direitos e pela dignidade da classe médica pernambucana.
O presidente do Simepe, Mário Fernando Lins, coordenou o encontro e, antes de dar inicio a plenária, apresentou um pequeno resumo do movimento e da proposta do governo: 7% de reajuste no salário-base, que passaria de R$ 1.540 para R$ 1.647; elevação da gratificação de plantão de R$ 600 para R$ 1.150 e implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) em quatro vezes (janeiro, abril, agosto e dezembro de 2008). Durante a exposição das informações a platéia não escondeu a indignação e a revolta. “Não queremos acabar com serviço público. Queremos respeito e condições dignas de trabalho”, destacou o médico Joaquim Beder. Na verdade, a falta de condições de trabalho e os baixos salários impuseram aos médicos a decisão de pedir demissão das emergências dos hospitais da rede estadual de saúde.
Apesar da empolgação geral da categoria em começar a votação imediatamente após a apresentação da proposta, Lins fez questão de lembrar que a decisão de pedir ou não a exoneração do cargo público é de caráter pessoal do profissional. “Nós não estamos obrigando ninguém a se demitir, mas também não vamos negar apoio para quem seguir esse caminho”, destacou o presidente do Simepe. Ele também chamou atenção para as acusações de que a entidade teria vínculos políticos. “O Sindicato não tem partido. Tomamos partidos somente da classe médica”, afirmou.
A votação foi rápida e a decisão unânime: não ao governo. O cirurgião geral Luiz Simões declarou que os médicos não podem deixar os cirurgiões vasculares e os traumato-ortopedistas sozinhos na luta. “Amanhã também vamos pedir exoneração. Não adianta ter medo”, destacou.
O traumato-ortopedista Arthur Medeiros é um dos 28 profissionais que vão ter de voltar ao trabalho depois da decisão judicial. Ele incentivou os colegas a enfrentar o medo e vestirem a camisa da luta. “Não me sinto orgulhoso por ter sido uns dos primeiros a pedir exoneração. Estou orgulhoso por estar cumprindo meu dever, lutando pela minha profissão e espero que vocês façam o mesmo”, declarou.
A vontade de resgatar o orgulho pela profissão também é compartilhada pelo cirurgião do Hospital da Restauração, Guido Araújo. Filho de médico, ele afirmou que o governo não oferece um aumento salarial decente porque a divisão de capital não é justa e disse ser mentira a informação que a população vai morrer sem assistência. “Hoje em dia, 95% dos socorros é realizado pelo Samu. Sabendo da ausência de médicos nos hospitais públicos, essas equipes devem levar os pacientes para serem atendidos em hospitais particulares. Isto é direito garantido pela constituição”, justificou.
Outro ponto de grande euforia dos médicos foi quando o presidente da Cooperativa dos Ortopedistas e Traumatologistas da Paraíba, Rômulo Castro disse que a Secretária de Saúde estaria sondando profissionais paraibanos para virem trabalhar temporariamente em Pernambuco. “Chegaram a oferecer R$ 7.000,00/mês ao plantonista, mas nós, ortopedistas da Paraíba, não aceitamos. Achamos um absurdo o cenário da saúde em Pernambuco e estamos solidários com os colegas”, afirmou.
A Federação Nacional dos Médicos (Fenam) também está apoiando e solidária com o movimento dos médicos pernambucanos. O presidente da entidade, Eduardo Santana, veio do Rio de Janeiro exclusivamente para acompanhar a Assembléia e garantir apoio ao sindicato e aos profissionais. “Estou muito orgulhoso de participar desse encontro. Esse movimento é uma luta em defesa da categoria, cidadania e, em especial, da população”, afirmou Santana. Já a Secção Pernambuco da Ordem dos Advogados Brasileiros (OAB-PE) declarou estar solidária ao movimento e enviou o seu representante de Direitos Humanos, Tarciano Domingues, para a reunião.
A 4ª Assembléia Geral Extraordinária do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) terminou por volta das 23h30 em clima de luta e esperança. “Essa é uma luta para corajosos, não para frouxos. Não vamos desistir”, afirmou o médico Guido Araújo. A próxima reunião da categoria está marcada para o dia 07 de agosto (terça-feira), às 19h30, em local a ser definido pelo Simepe.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
TEXTO: Flávia Morgado, da Assessoria de Imprensa do Simepe.
FOTO: Chico Carlos, Assessor de Imprensa do Simepe.
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