Publicado em: 06/07/2022 | Por: Joelli Azevedo
Texto: Miguel Doherty e Renato Câmara
O objetivo central de Octávio de Freitas ao fundar o Instituto Pernambucano de História da Medicina era estudar , debater e divulgar questões referentes a História da Medicina e ciências afins e para alcançar tal desiderato ficava implícito a criação de um museu, onde estariam preservadas as representações da memória e do patrimônio das ciências da saúde no nosso Estado. Já naquela época, 1946, Octávio assimilava as intenções de Ivolino de Vasconcelos que ao criar um ano antes o Instituto Brasileiro de História da Medicina propunha a inclusão de outras áreas das ciências da saúde.
Aprofundando as concepções destes dois mestres e impulsionados pelas ideias de Daniel Le Clerc (1662-1728), historiador francês considerado o Pai da Historia da Medicina, pelo pensamento de Giambattista Vico ( 1688-1744), filósofo italiano que considerava a História da Medicina uma nova ciência, pelas contribuições do historiador alemão Karl Sudhoff( 1853-1938), fundador do primeiro Instituto de História da Medicina e criador da primeira cátedra
desta área de conhecimento e também pelos conceitos do francês Henri Sigerist ( 1891-1957), influente professor na Universidade Johns Hopkins/EUA e pioneiro da história social da medicina, pode-se advogar que a abordagem da História da Medicina, entre nós, deva ser sistematizada em seis eixos que norteariam suas ações:
A primeira vista podem parecer propósitos pretensiosos e ambiciosos mas não impossíveis de serem alcançados desde que sejam conduzidos através de processo de construção ordenado, persistente e solidário, provavelmente lento, abrangendo prioritariamente os associados da Instituição.
Dentro desta perspectiva devemos também entender que a importância da História está em seu papel de nortear o homem no espaço e no tempo, dando-lhe a possibilidade de compreender a própria realidade. Assim a História não é apenas o estudo de pessoas ou fatos pretéritos ( embora estes sejam pedagógicos) mas também a aplicação dos
conhecimentos adquiridos no processo de conscientização das pessoas para a tarefa de edificar uma sociedade mais tolerante e menos desigual.
Se não ousarmos na execução destes passos para abordar a História da Medicina, tanto o Instituto como seu Museu, correrão o risco de serem apenas casa de custódia de peças, livros e documentos antigos, local de reuniões saudosistas ou mesmo serem comparados aos “Gabinetes de Curiosidades”, bases da concepção de museus,
como o que Nassau desenvolveu no Recife por volta de 1642 no Palácio Friburgo.
Oportuno tomarmos como referência o ideograma SANKOFA, presente na adinkra, conjunto de símbolos ideográficos dos povos acã, grupo linguístico da África Ocidental, que , segundo Abdias Nascimento, conceituado intelectual e defensor da cultura negra, significa : “Retorno ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro”.
Acesse o Boletim Informativo: Ano 76 – Nº 17 – MAIO-JUN 2022 – Instituto Pernambucano de História da Medicina
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