Publicado em: 01/09/2005 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
A tendência decrescente da mortalidade infantil se manteve nos últimos anos, mas seu ritmo se reduziu e o abismo entre os países ricos e pobres está aumentando, segundo o Relatório 2005 sobre Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado hoje.
Atualmente morrem dois milhões de crianças a menos que em 1990 e a possibilidade de que um recém-nascido chegue aos 5 anos aumentou 15%, mas as taxas de mortalidade infantil diminuíram um terço a menos do que nos anos 80.
No entanto, o objetivo de reduzir em dois terços a mortalidade de crianças menores de cinco anos só deve ser atingido em 2045, ou seja 30 anos depois do prazo estabelecidos pelas Nações Unidas como um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).
O relatório afirma que “menos de um quinto da população do mundo em desenvolvimento vive em países que se encontram no caminho previsto para cumprir a meta”.
“Nenhum dos países altamente povoados da África subsaariana está bem encaminhado” para cumprir o objetivo previsto, nem China ou a Índia.
Se os avanços da década dos 80 tivessem sido mantidos nos anos posteriores, pelo menos um milhão de crianças a menos teriam morrido em 2003, segundo os dados do PNUD, que destaca a lentidão na redução da mortalidade neonatal.
O abismo entre ricos e pobres está crescendo, especialmente na África subsaariana, onde se em 1980 a taxa de mortalidade infantil era 12 vezes mais alta do que nos países desenvolvidos, atualmente é de 29 vezes.
Mas outras regiões também sofrem com esse abismo, que afeta inclusive países com um crescimento econômico mais sólido. Dentro dos países a proporção de mortes infantis sofridas pelos pobres é muito maior que a dos ricos.
Com as atuais tendências, ressalta o Pnud no relatório, só em 2115, um século depois do previsto, a África subsaariana alcançaria como região a meta dos Objetivos do Milênio.
Países como Afeganistão, Angola, República Democrática do Congo, Etiópia, Nigéria, Tanzânia e Uganda desviaram em mais de uma geração do caminho previsto ou estão retrocedendo, afirma o relatório do Pnud.
Como exemplo, o Pnud cita China e Índia, dois gigantes à frente dos países de alto crescimento, cujos ritmos de avanço para reduzir a mortalidade de menores diminuíram a partir de 1990.
O caso da China demonstra que níveis de vida em alta e taxas de crescimento econômico espetaculares são insuficientes para acelerar a diminuição da mortalidade infantil.
O país já reduziu a pobreza pela metade em relação a 1990, mas a redução das mortes de crianças caiu dos 2,3% dos anos 80 para 1,9% no período 1990-2003.
O Pnud insiste ainda na estreita relação entre mortalidade infantil e mortalidade materna, com 530.000 mulheres que morrem por ano durante a gravidez e o parto, a maioria nos países em desenvolvimento.
Tanto no caso das crianças como nos das mães, a maioria das mortes poderia ser evitada com intervenções de baixo custo para evitar as doenças contagiosas e as infecções sistemáticas.
Da Assessoria de Imprensa do Cremepe.
Com Informações da Agência EFE, em Nova York.
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