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Sem tratamento, pressão alta no pulmão pode matar

Publicado em: 01/09/2005 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

Ainda sem uma causa bem definida na literatura médica, a hipertensão arterial pulmonar é uma doença grave, progressiva e que atinge principalmente mulheres entre 20 e 30 anos de idade.
    
Os primeiros sintomas –falta de ar e cansaço físico– são inespecíficos na maioria das vezes, o que dificulta e atrasa o diagnóstico da doença em até dois anos. Sem tratamento, estima-se que cerca de 50% dos pacientes morram em até três anos após o problema ser descoberto.
    
O termo hipertensão significa que a pressão em determinado sistema de vasos do corpo está aumentada. A hipertensão pulmonar é o aumento da pressão nos vasos do pulmão. A doença provoca uma obstrução progressiva dos vasos pulmonares, que ficam cada vez mais estreitos.
    
“Esse estreitamento faz com que o coração tenha de fazer muita força para que o sangue passe pelos pulmões. Isso leva a um quadro progressivo de insuficiência cardíaca e respiratória”, diz o pneumologista Rogério Souza, responsável pelo grupo de Hipertensão Pulmonar do Incor (Instituto do Coração) do Hospital das Clínicas de São Paulo.
    
Segundo a pneumologista Jaquelina Sonoe Ota Araraki, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), há duas formas de classificação da doença: idiopática, quando a causa é desconhecida, e secundária, quando a hipertensão surge como conseqüência de outras doenças, como esclerose sistêmica e esquistossomose.
    
O mecanismo da doença nos pulmões é semelhante ao da restrita ao coração –a chamada hipertensão arterial sistêmica.
    
A grande diferença entre a evolução das duas é que, no caso da doença no coração, o lado esquerdo do órgão consegue trabalhar com níveis de pressão mais elevados. Já o lado direito –parte que leva o sangue para os pulmões–, não sendo adaptado para pressões altas, entra em falência de forma muito mais rápida.
     
“Como os primeiros sintomas são facilmente confundidos com outros problemas, como sedentarismo ou asma, quando o paciente descobre a doença já está em estágio avançado”, diz Mauro Zamboni, presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia.
    
O acesso à terapia também é complicado. As drogas hoje disponíveis –bosentana (Tracleer) e citrato de sildenafila (Viagra, que acaba de ser aprovado com outro nome)– não estão na rede pública de saúde e, por isso, o paciente precisa recorrer à Justiça para recebê-las gratuitamente.
    
“O Tracleer bloqueia uma das substâncias que fecham os vasos, e o Viagra dilata os vasos. São caros, mas também a única forma de melhorar a qualidade de vida do doente. Não há cura, mas há tratamento”, afirma Souza.
    
Da Assessoria de Imprensa do Cremepe.
Com Informações de FERNANDA BASSETTE.
Da Folha de São Paulo.

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