Publicado em: 12/01/2007 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Porto Alegre – Vacina desenvolvida pela FK Biotecnologia em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre conseguiu reduzir ou estancar o câncer de próstata de 9 em 11 pacientes testados e se tornou uma nova esperança de cura. O resultado dos testes foi publicado na revista especializada canadense Journal of Pharmacy and Pharmaceutics Science, depois de submetido à avaliação de especialistas.
A terapia nasceu da hipótese de que o sistema imunológico dos doentes não identifica as células cancerígenas como perigosas e, por isso, permite a multiplicação delas, bem como a instalação de metástases. Os pesquisadores retiram fragmentos dos tumores para estimulá-los a crescer em laboratório e posteriormente misturá-los a hormônios do sistema imunológico. Inoculadas nos pacientes, as células tumorais modificadas passam a ser reconhecidas e combatidas pelas células de defesa, que também entram em “guerra” contra o tumor original
“Quatro dos 11 pacientes apresentaram cura bioquímica, ou seja, PSA (antígeno que identifica o tumor) indetectável”, relata o médico Fernando Kreutz, o pesquisador que criou a FK, primeira empresa de ciência e inovação gaúcha a receber investimento de capital de risco. Em outros cinco pacientes, o indicador subiu um pouco e depois estacionou, o que, segundo Kreutz, também é um “sinal interessante”. O tratamento foi ineficaz em dois dos casos.
O resultado dos primeiros testes já animou outros 78 pacientes de diversas regiões do país a optarem pelo procedimento, que é considerado experimental. Como são vacinas feitas individualmente e demoram seis meses para ficarem prontas, o custo é elevado, em torno de R$ 10 mil.
Kreutz está convicto de que a técnica se tornará um tratamento adjuvante do câncer de próstata. A mesma técnica está sendo testada para outros tipos de câncer. Algumas pesquisas não chegaram aos primeiros resultados e outras ainda não são conclusivas. No caso dos tumores de pele e rins a resposta não foi boa.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) classifica as vacinascomo um procedimento médico – e não como um remédio – e permite seu uso desde que com acompanhamento médico especializado. A aprovação da terapia foi possível graças à demonstração de que ela não provoca danos à saúde. O presidente da Fundação Sul-americana para o Desenvolvimento de Novas Drogas Anticâncer, Gilberto Schwartsmann, é considerado um entusiasta da experiência, mas acredita que é muito cedo para saber se a imunoterapia se tornará um tratamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, as setes doses da vacina custam, em média, R$ 10 mil, em função de ainda estarem em experimentação.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
TEXTO: Diário de Pernambuco.
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