Publicado em: 12/06/2007 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
O secretário-executivo da Comissão Nacional de Residência Médica e professor titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Antonio Carlos Lopes, criticou a proposta de criação de serviço civil obrigatório, feita pelo ministro da Saúde, José Gomes Temporão, por enviar a campo profissionais recém-formados, ainda inexperientes.
Em entrevista concedida ao Estado, o ministro defendeu que médicos formados em instituições públicas passassem um período de sua vida profissional em locais mais afastados do País. A fórmula seria usada para combater a falta de médicos em regiões pobres e afastadas. Lopes quer agora falar pessoalmente com o ministro, para debater a proposta.
Em 2004, uma resolução da Comissão Nacional de Residência Médica criou a possibilidade de médicos fazerem o estágio optativo em regiões de fronteira, mas sempre supervisionados. “A proposta era de ter sempre equipes disponíveis, renovadas a cada dois meses, com especialistas de várias áreas”, afirmou Lopes. Além de técnica, residentes ganhariam experiência de vida. O projeto, embora aprovado, não foi para frente porque custaria R$ 3 por dia, por médico residente, em 2004.
Inexperientes
A principal crítica feita por Lopes está no fato de se enviarem médicos que acabaram de sair da faculdade. “Recém-formado não tem capacidade para tratar pacientes”, assegura.
Para o professor, em seis anos de curso de graduação, os alunos recebem “mal e porcamente a transmissão de conhecimento”. Algo bem diferente da formação médica: “Que é a relação do médico com o paciente, o raciocínio para avaliar o doente, a rapidez para perceber que um tratamento não surte o efeito adequado.”
Especialistas
Geraldo Guedes, do Conselho Federal de Medicina (CFM), também considera a proposta de Temporão pouco efetiva. “Essas áreas precisam de especialistas, não de recém-formados”, avalia.
Ele observa ainda que, em tal modelo, médicos formados em universidades públicas acabariam sendo prejudicados. “Enquanto formados pelas faculdades particulares poderiam ingressar direto em cursos de residência, os formados pelas faculdades públicas teriam de passar ainda pelo serviço civil.”
Para a presidente do Centro Brasileiro de Estudo de Saúde (Cebes), Sonia Fleury, tal exigência não representa uma desvantagem. “O recém-formado pode ganhar uma experiência extremamente importante para sua vida profissional”, avalia. Ela lembra, também, que, com a tecnologia hoje existente, tais médicos não ficariam desamparados. “Eles podem receber orientação dos centros de pesquisa”, completa. Lopes discorda: “Tecnologia tem grande utilidade em outro estágio, não para ensinar o médico a clinicar.”
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
Reportagem: Lígia Formenti, BRASÍLIA. Do jornal O Estado de São Paulo (12.06.2007)
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