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Dieta e Câncer Intestinal: Afinal, Qual é o Caminho?

Publicado em: 01/04/2005 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.

A dieta é considerada um fator importante em 20 a 50% de todos os casos de câncer, atuando ao lado de outros aspectos como idade, predisposição genética, hábitos vida (como tabagismo, estresse e sedentarismo), e fatores ambientais (como a exposição ao sol e poluição). Algumas pesquisas sugerem que pode ser possível evitar 35% dos casos de câncer apenas alterando a dieta.
    
Entretanto, dois trabalhos recentes, publicados no New England Journal of Medicine questionam o papel das dietas ricas em fibras na prevenção do câncer colorretal ao mostrar evidências de que este tipo de dieta não diminui a incidência de pólipos adenomatosos, as lesões precursoras dos cânceres de intestino grosso. Sabe-se que pessoas que consomem dietas ricas em fibras de fato apresentam menos casos de câncer colorretal, sem contar no menor número de casos de doença diverticular e problemas cardiovasculares. Mas até onde o menor risco de câncer nestas pessoas realmente decorre da maior ingestão de fibras e menor ingestão de gorduras?
    
Na dúvida, é melhor seguir hábitos alimentares saudáveis. E como fazer isto? Como aumentar a quantidade de fibras na dieta? Qual a quantidade e quais os alimentos que podem ser consumidos para diminuir o risco de câncer colorretal?
     
Inicialmente, saiba que o câncer colorretal é um dos cânceres mais comuns do mundo, ocorrendo principalmente em áreas urbanas, sendo mais freqüente em homens e mulheres acima dos 50 anos de idade. No Brasil, os tumores malignos do tubo digestivo causam três vezes mais mortes que o câncer de pulmão – a cada ano, são responsáveis por mais vítimas fatais que os cânceres de mama e útero somados.
    
Não existe uma dieta específica que seja cem por cento eficaz na prevenção do câncer colorretal, mas alterações dietéticas simples podem reduzir o risco de cânceres em geral, bem como melhorar sua saúde.
    
As fibras vegetais
    
As fibras vêm das plantas e não dos alimentos de origem animal. Sua quantidade é maior em frutas, verduras, legumes e cereais frescos e minimamente processados. Elas aumentam o volume do bolo fecal e a velocidade do trânsito intestinal, diminuindo o contato de agentes tóxicos (carcinógenos) com a mucosa.
    
Nossa dieta é constituída basicamente de gorduras, açúcares, proteínas, frutas e vegetais. O ideal é consumir 25 a 35 gramas de fibras diariamente – infelizmente, nossa média é de 10 a 11 gramas. Comer diariamente cinco ou mais porções (ou 400-800 gramas) de frutas ou verduras e mais de sete porções (ou 600-800 gramas) de cereais, legumes, raízes, tubérculos e folhas fornece o suficiente em fibras.
    
Aumente a quantidade de fibra na sua dieta ingerido cinco ou mais porções dos alimentos abaixo:
    
1 fruta grande – laranja, pera, banana ou maçã, por exemplo. Um copo de suco de laranja vale como uma porção.

2 frutas pequenas – ameixa ou pêssego, por exemplo.
    
1 xícara de morango, amora ou framboesa.
    
2 colheres de sopa de vegetais – ervilha, brócolis, repolho ou couve.
     
1 prato raso de salada – alface e tomate, por exemplo.
    
Observação: batatas contêm muito amido e não podem ser contabilizadas como uma porção de vegetais.
    
Acredita-se que substâncias anti-oxidantes presentes nas frutas, verduras e legumes tenham efeitos celulares protetores. Mesmo assim, simplesmente tomar suplementos vitamínicos ao invés de comer frutas e outros vegetais não é uma boa idéia, pois esses suplementos não contêm fibras – e ainda não se sabe exatamente quem exerce o efeito protetor: as fibras, as vitaminas, os sais minerais, ou uma associação destes elementos.
    
Um detalhe: ao aumentar a quantidade de fibras na dieta, faça-o lentamente e aumente a ingestão de líquidos – o ideal é beber cerca de 6 a 8 copos de líquido por dia, mas as fibras podem causar ressecamento intestinal, então pode ser necessário beber um pouco mais.
    
Gorduras, Carnes e Outras Recomendações
    
Em muitos estudos, dietas ricas em gorduras associam-se a uma maior incidência de câncer colorretal. Alguns pesquisadores acreditam que não é precisamente a gordura a causa do problema, mas todo um estilo de vida.
    
Necessitamos de uma pequena quantidade de gordura para absorver vitaminas lipossolúveis, mas em geral ingerimos mais gordura que o necessário – as gorduras respondem por cerca de 38% das calorias na nossa dieta, quando o ideal seria 30% ou menos.
    
Para diminuir a quantidade de gordura na dieta, siga recomendações simples, como não fritar ou tostar os alimentos; usar manteiga, margarina e óleos com moderação (nunca reutilize um óleo que já sofreu cozimento); prefira óleos ricos em gorduras poliinsaturadas e monoinsaturadas e laticínios com baixo teor de teor de gordura; retire a pele da galinha e de outras aves antes de cozinhá-las; cuidado com sorvetes, lanches rápidos e outras refeições gordurosas.
    
Ainda, recomenda-se reduzir o consumo de carne vermelha para 80 gramas duas vezes por semana, evitando-se carnes processadas, como bacon, salsichas e presunto; diminuir o uso de açúcar; e não ingerir bebidas alcoólicas. Evite fazer armazenagens prolongadas à temperatura ambiente. Alimentos fermentados, defumados ou preservados em sal ou em nitratos aumentam o risco de câncer. E não ferva os vegetais em água – as vitaminas passam para a água, diminuindo o valor nutritivo dos vegetais.
    
Da Assessoria de Imprensa do Cremepe.
Com Informações do site Boa Saúde.
http://boasaude.uol.com.br

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