Publicado em: 30/08/2006 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
No mundo, a esquistossomose afeta 200 milhões de pessoas, um número maior que toda a população brasileira. As estimativas dão conta de mais de 200 mil mortes por ano. Dos dez milhões de indivíduos infectados em todo o Brasil, quase 80% são nordestinos. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) registrou, no ano passado, 19.155 casos de barriga d’água, como é popularmente conhecida. Até março deste ano, foram notificados 1.335 portadores da doença em Pernambuco. Endêmica, a esquistossomose é peculiar a determinadas regiões. Por essa razão, a SES, em parceria com o Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM) e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC), realizou uma abordagem para avaliar a prevalência de Schistosoma mansoni, gênero do parasita que transmite o mal, nos 43 municípios da Zona da Mata pernambucana. O estudo demonstrou uma prevalência preocupante em 23 cidades, o que pediu medidas urgentes de prevenção, diagnóstico e tratamento.
A iniciativa faz parte do Programa de Apoio e Desenvolvimento da Zona da Mata de Pernambuco (Promata) e tem como objetivo conhecer a situação atual da região, no que concerne aos casos de esquistossomose. “Antes os dados eram muito pontuais, não eram confiáveis. Nosso intuito era conhecer esses municípios que historicamente sempre tiveram a doença”, explicou o gerente de Vigilância Ambiental da SES, Francisco Duarte. Das 11,2 mil crianças entre 7 e 14 anos pesquisadas, o verme fez-se presente em 14,4%, mas chegou a atingir um índice de 38,5%, por exemplo, em Escada. Segundo Duarte, o inquérito já foi apresentado às prefeituras para que os problemas sejam solucionados.
A idéia é oferecer a cada cidade uma estrutura suficientemente capaz de abrigar os doentes, para que eles não sejam obrigados a se deslocar até a capital para se curarem. “Já compramos os microscópios e capacitamos os laboratoristas. Está faltando apenas concluir a inclusão do Programa de Saúde da Família (PSF) no tratamento”, disse Francisco Duarte. A expectativa é que o modelo operacional para combater a esquistossomose seja concluído até o final deste ano. O grupo que realizou a pesquisa recomendou a priorização de medidas de controle da infecção nas escolas, conscientizando pais e alunos. “A esquistossomose é multifatorial, tem várias causas que interferem, como abastecimento de água, lixo, saneamento básico”, pontuou o gerente de Vigilância Ambiental. A intenção da Assembléia Mundial de Saúde é desverminar, até 2010, 75% das crianças infectadas em todo o mundo.
HISTÓRIA
A história da esquistossomose remonta às civilizações da Antigüidade Oriental, há mais de quatro mil anos. O que antes era uma doença rara tornou-se um problema endêmico com o desenvolvimento da agricultura. No Egito Antigo, as cheias do rio Nilo, ao passo que traziam a prosperidade, também proliferavam os caracóis, que são os hospedeiros intermediários do parasita que transmite o Schistosoma. Durante os trabalhos de irrigação, dos quais a maioria da população participava, o contato com os caramujos disseminou a doença entre os egípcios. O mesmo ocorria na Mesopotâmia, região situada entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Oriente Médio, outra zona endêmica da esquistossomose. O parasita chegou ao Brasil, provavelmente, durante a época da colonização, com o tráfico de escravos, uma vez que a África é um continente onde a doença é endêmica em quase todo o território.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe
Com informações da Folha de Pernambuco.
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