Publicado em: 09/01/2007 | Por: Lourival Quirino da Silva Jr.
Conselho Regional de Medicina vai fiscalizar o Hospital Jesus Nazareno, onde seis recém-nascidos morreram nos primeiros dias de 2007. Última inspeção na unidade foi feita no ano passado
O presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), Carlos Vital, anunciou ontem que fará sindicância e fiscalização no Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru, onde morreram seis bebês nos primeiros quatro dias de 2007, três deles na última quinta-feira. Mas alertou para a necessidade urgente de avaliar e modificar a assistência a gestantes e recém-nascidos no interior do Estado. “A morte dos bebês não pode ser vista como um caso isolado”, afirmou.
Para Vital, além de verificar as condições do hospital, cabe aos gestores do SUS observar a assistência prestada a gestantes e recém-nascidos nas 32 cidades que mandam crianças para o Jesus Nazareno. “A morte dos recém-nascidos também pode ter relação com a qualidade da assistência ao parto nos municípios e com o transporte precário dos bebês a Caruaru.”
A sindicância do Cremepe já foi aberta e visa apurar se houve falha médica na morte das crianças. Havendo indícios, um processo será instaurado. Já a fiscalização, para averiguar as condições de funcionamento da unidade, está programada para esta semana. Na última inspeção, em agosto de 2006, o Conselho Regional de Medicina constatou no Jesus Nazareno a necessidade urgente de instalação de uma UTI neonatal.
Embora seja classificada como maternidade de alto risco, a unidade estadual do SUS não conta com estrutura para terapia intensiva. Essa carência é indicada pelas entidades médicas desde 2003, quando nove bebês morreram na unidade em uma semana. Os recém-nascidos, muitas vezes de gestações de alto risco, têm ficado atualmente num berçário improvisado, enquanto a unidade de terapia intensiva é implantada. Outros são transferidos ao Recife.
Delegado abre inquérito para investigar casos
CARUARU – O delegado Sérgio Ricardo, da 2ª Delegacia Distrital, abriu inquérito ontem para apurar responsabilidades pelas mortes dos recém-nascidos registradas na Maternidade Jesus Nazareno, neste município. Ontem, ele ouviu o diretor, Marcos Sampaio, e o administrador da maternidade, Nivaldo Andrade. “Por enquanto não encontrei irregularidade ou indícios de crime. Mas vou dar continuidade ao inquérito, ouvindo mães e outros funcionários”, assegurou. A polícia tem 30 dias para concluir a investigação.
Ontem técnicos da Vigilância Sanitária de Pernambuco inspecionaram a unidade e também não constataram irregularidades. “Esta inspeção é de rotina e foi antecipada por conta dos óbitos na semana passada (seis mortes foram registradas em quatro dias). Além da estrutura física, analisamos os prontuários desses óbitos e os berçários”, informou o diretor da Vigilância, Jaime Brito. Itens como medicamentos e recursos humanos também foram observados pelos técnicos.
As mortes ainda assustam parentes dos pacientes. A aposentada Maria Vasconcelos Bezerra, 61, acompanhava a filha e disse que ficou sabendo dos óbitos por meio das reportagens. “Fiquei preocupada, mas confio em Deus. Tenho fé de que nada vai acontecer com ela.”
VISITA – Ontem, o secretário estadual de Saúde, Jorge Gomes, escolheu o Hospital Regional do Agreste (HRA) para sua primeira visita a uma unidade de saúde, depois de assumir a pasta. Segundo o novo secretário, o hospital cresceu “desordenadamente”. Jorge Gomes acrescentou que a unidade foi projetada para 100 leitos e agora conta com 230, mas não foram feitas as adequações necessárias. Ele prometeu começar pelo HRA as melhorias no interior.
No Recife, obra de UTI neonatal está parada
A carência de terapia intensiva para recém-nascidos não é restrita ao interior. No Recife, que recebe a maior parte dos pacientes do SUS, os serviços existentes enfrentam lotação excessiva e há obras paralisadas.
No Hospital Barão de Lucena, na Caxangá, Zona Oeste da cidade, os serviços para a instalação de uma UTI neonatal destinada a pacientes nascidos em outras maternidades, estão parados desde o mês passado.
As obras, orçadas em R$ 162,3 mil e contratadas pela Secretaria Estadual de Saúde, previam a implantação de nove leitos e foram iniciadas em junho de 2006. Enquanto o serviço não é retomado e concluído, a UTI Neonatal do Barão tem seis leitos oficiais e outros extras para comportar os pacientes da casa e os recém-nascidos encaminhados por outros hospitais. Lá, a taxa de ocupação é de 117%.
O diretor do Hospital Barão de Lucena (HBL), Jairo Barbosa, explica que a UTI para bebês externos é fundamental não só para diminuir a sobrecarga da destinada aos recém-nascidos do HBL. “Há recomendação para que as crianças nascidas em outras unidades fiquem em outro espaço, diminuindo as chances de infecção”, alega. Segundo ele, a retomada das obras já foi solicitada pelo HBL à Secretaria Estadual de Saúde.
No Barão, não é só a UTI Neonatal que vive lotada. A Unidade de Terapia Intensiva, destinada a crianças maiores, também tem seus nove leitos ocupados permanentemente, desde que foi inaugurada há mais de um ano. Em 2006, por falta de vaga em UTIs e berçários, maternidades localizadas na capital chegaram a suspender a recepção de gestantes.
Da Assessoria de Comunicação do Cremepe.
TEXTO: Jornal do Commercio.
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